Sábado, Novembro 12, 2005

"Just living is not enough. One must have sunshine, freedom, and a little flower."

- Hans Christian Andersen

Quinta-feira, Dezembro 02, 2004

BLOG


Hoje a palavra BLOG foi oficialmente criada, com a entrada no dicionário oficial da Língua Inglesa (embora tenha acontecido nos EUA).

Que data melhor do que esta para fechar o meu próprio Blog?

As estatísticas dizem-nos que existem quase 5 milhões de blogs, dos quais apenas 1 milhão são actualizados com frequência. E dizem-nos que um Blog dura, em média, 3 meses (o meu durou mais!!!). E que a cada 6 segundos é criado um novo Blog, mas que apenas 1 deles sobrevive algum tempo.

Gostei de estar aqui e de conhecer toda a gente que me visitou, comentou ou contactou.

Não me despeço - continuarei com o e-mail disponível (e às vezes no Messenger).

Mas o SPOT morreu.

Viva o SPOT!

Sexta-feira, Novembro 26, 2004

O Resto da Tua Vida


A princípio é simples anda-se sozinho
passa-se nas ruas bem devagarinho
está-se bem no silêncio e no burborinho
bebem-se as certezas num copo de vinho
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida


Pouco a pouco o passo faz-se vagabundo
dá-se a volta ao medo e dá-se a volta ao mundo
diz-se do passado que está moribundo
bebe-se o alento num copo sem fundo
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida


E é então que amigos nos oferecem leito
entra-se cansado e sai-se refeito
luta-se por tudo o que se leva a peito
bebe-se e come-se se alguém nos diz bom proveito
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida


Depois vem cansaço e o corpo frequeja
molha-se para dentro e já pouco sobeja
pede-se o descanso por curto que seja
apagam-se duvidas num mar de cerveja
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida


E enfim duma escolha faz-se um desafio
enfrenta-se a vida de fio a pavio
navega-se sem mar sem vela ou navio
bebe-se a coragem até dum copo vazio
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida


Entretanto o tempo fez cinza da brasa
outra maré cheia virá da maré vaza
nasce um novo dia e no braço outra asa
brinda-se aos amores com o vinho da casa
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida


O Primeiro Dia - Sérgio Godinho

Estaremos nós condenados a um eterno recomeço?
Não haverá nada que perdure?
"Não há mal que sempre dure, nem bem que nunca se acabe" será mesmo verdade?
Então para quê tudo isto? Apenas para começar de novo?
E não se cansam?

...Eu estou cansado...

Aventuras de Pedro, Sentado


Sentado,
O queixo apoiado na sua mão esquerda
A mão direita pousada sobre as pernas trocadas
E a caneta
E o bloco
E palavras acabadas de escrever
E reticências...
E pontos de interrogação?

Sentado,
Olha o Infinito
Infinito restrito às quatro paredes do quarto
E o papel de parede caindo verticalmente de alto a baixo
E a madeira em rectas, no tecto
E o candeiro luminoso no centro
E a música...
A música do rádio deixado no chão
- Os sons estereotipados do momento
E, de repente,
O silêncio
...Que não acontece!
A música continua
E ele continua

Sentado,
Os olhos fixos no nada
E a estante
E os livros
As palavras escritas pelos outros
E a mesa de cabeceira
E as fotografias
E as palavras nunca ouvidas

Sentado,
A caneta imóvel
O bloco vazio
As palavras que não existem
E o cérebero delira textos nunca escritos
E que nunca ninguém lerá
E a boca declama poemas nunca ditos
E que nunca ninguém ouvirá
E que nem ele recordará daí a pouco

Sentado,
Sonha de olhos abertos.

Sentado,
Dorme acordado.

Sentado,
Vive morto.

PO 01/1990

Sábado, Novembro 20, 2004

Pode?


Pode alguém ser quem não é?

É estranho no ventre
ser de outro lugar
e tão confusamente
ver desmoronar
um a um sonhos sãos
duas mãos
passando da alegria ao desamor

Pode alguém ser livre
se outro alguém não é
a algema dum outro
serve-me no pé
nas duas mãos,
sonhos vãos,
pesadelos diz-me:

Pode alguém ser quem não é?

Pode alguém ser quem não é - Sérgio Godinho (excerto)

A mim parece-me que sim, que pode... E a vocês?

Domingo, Novembro 14, 2004

Fim Anunciado


Ao longo dos meses em que estive on-line, blogs apareceram e desapareceram.
Uns para sempre, outros migrando para outras esferas.

Nos que mudavam, registava-se apenas uma mudança de formato, de tema, de quebra com o passado; noutros assistia-se a uma transformação de personalidade, de opinião, de tudo - fazendo esquecer o autor do antigo.

Mas muitos acabaram definitivamente.
Morreram.
Dissiparam-se, sem deixar traço.

Normalmente anunciam o seu fim no próprio momento em que este acontece - com um último post.
Depois, durante algum tempo, registam-se as reacções dos leitores, nos comentários (eventualmente com resposta do autor).

Alguns acabam sem aviso, sem R.I.P. - os visitantes vão lá e nunca mais houve publicação de posts.

Muito raramente, o próprio blog é retirado, sem aviso, deixando-nos perdidos para sempre, sem poder registar a nossa frustração.

Tudo isto para vos dizer, com antecedência, que este blog vai acabar.

Mas não é hoje.

Nem amanhã.

Talvez no fim do mês.

Depende do tempo que tiver para publicar tudo aquilo que já tenho escrito ou em mente.

Porquê?

Porque o objectivo deste blog foi cumprido: todos vós me procuraram, encontraram, descobriram, visitaram, salvaram e, alguns, conheceram.

Spot me! - "descubram-me" - pedi eu.

Right on the Spot - "mesmo em cheio" - foi o resultado da vossa busca.

Stop! - "parem" - e vai parar mesmo.

Ao reler tudo o que escrevi, acho que valeu a pena.

Só tenho pena de não ter guardado todos os vossos comentários.
Nos Posts mais antigos está tudo em branco, uma vez que o sistema de comentários que adoptei não guarda tudo. É pena.

Sabem o meu e-mail - escrevam quando precisarem.

Eu vou aparecendo pelos vossos blogs.

E assinarei como sPOt.

Mas isto ainda não é o adeus final.

Apenas um fim anunciado.

;-)

Domingo, Novembro 07, 2004

Eu vi um sapo...


"Precisamos ter claro que relacionamento é a possibilidade de trocar afecto e crescer como indivíduos, e também, onde podemos contribuir para o crescimento do outro.
E nós, como indivíduos, crescemos – querendo ou não! Só que às vezes cada um cresce em direcções, sectores e em ritmos diferentes e antes, se havia entendimento e projectos comuns, parece que, de repente, cada um está falando uma língua diferente. Aspiramos coisas que o(a) parceiro(a) parece não estar mais interessado(a) ou, ao contrário, o(a) parceiro(a) parece querer coisas que nem imaginávamos que pudesse desejar. Começa a parecer-nos um(a) estranho(a)! E a culpa não é de ninguém: é bom isto ficar bem claro!
E neste momento estabelece-se claramente a crise!

Além de ser necessário fazer uma recapitulação da relação, precisamos abrir mão do orgulho e do egoísmo, tanto para se ficar numa relação e mantê-la como para se cair fora dela.
Eis o paradoxo! Às vezes não abrimos mão de uma relação só por orgulho ou egoísmo, e às vezes caímos fora também pelos mesmo motivos.

Permitir ao parceiro que tenha planos individuais ou algum hobby pessoal onde não estamos incluídos é necessário e saudável para a própria relação – como também nós devemos ter algo pessoal que não o inclua.
Sentir-se preterido pode indicar algum distúrbio emocional ou carência que deve ser suprida. E ai, movidos por tais dificuldades, tornamo-nos egoístas ou sentimo-nos feridos em nosso orgulho.
Então, depois de se colocar em disponibilidade para a relação (querer); fazer uma retrospectiva da mesma (crescimento de ambos e o rumo que tomaram); abrir mão do egoísmo e do orgulho; e, por fim, antever honestamente quais as perspectivas possíveis que tem esta relação; aí sim, poderemos superar, ou não, a crise que se desenvolveu e instalou.
E eu digo que a realidade é bem mais simples do que os fantasmas que nos atormentam (que são todos os nossos medos!), principalmente quando somos movidos em prol da nossa felicidade e queremos estabelecer uma relação verdadeiramente amorosa."

Maria Aparecida Bressani é psicóloga e psicoterapeuta.

Quarta-feira, Outubro 27, 2004

Temporal


Os meteorologistas até tinham avisado, mas eu ando sempre distraído: raramente presto atenção ao "manda-chuva"; quase nunca retenho a informação da rádio; e só sei que vai chover quando as primeiras gotas me atingem e descubro que não trouxe chapéu.

E foi por isso que não dei por ele chegar, o Temporal.

Apanhou-me (mais uma vez), desprevenido, sem capa, chapéu-de-chuva, ou roupa quente.

Veio do passado e, como um ciclone, rasgou as folhas de memórias passadas e atirou-mas à cara.

Sem dó nem piedade, atingiu-me no mais íntimo do meu ser, alheio ao facto de estar abrigado, feliz na família e de trabalho ocupado.

O vento forte derrubou-me, deitou-me ao chão.

A chuva fria ensopou-me até aos ossos, gelando-me o coração.

E a trovoada ensurdecedora, com os relâmpagos fulminantes, atingiu-me em cheio, paralizou-me, sem qualquer razão.

Pior que uma tempestade que se adivinha ao longe, é um temporal inesperado - uma tromba-de-água - um tufão.

Nos últimos tempos pareço uma América do Norte continuamente batida por tempestades ciclónicas de nomes anglo-americanos, ou um Japão sempre à mercê de maremotos, terramotos e afins:

- as minhas orlas marítimas são periodicamente visitadas por dúvidas parvas e ciúmes doentios;

- e o meu interior campestre desertifica-se e morre de sede, atingido por secos sentimentos e contínuas faltas de amor.

Sei que até os mais fortes furacões passam depressa, dando lugar à bonança.

Mas quando voltará o Sol a brilhar para mim?

Domingo, Outubro 24, 2004

Auto-retrato

Save me
from this sadness it's coming
or take me
before my smile it's dissolving
wake me
from this nightmare i'm entering
don't let me fall in the corners of my own

As a tear comes from inside
I feel like i'm gonna drown
and as i'm searching for something to occupy my mind again
I lay
Down on my bed
But then a picture of my soul shows me
there's no way instead

touch me
make me feel i'm alive
or forgget me
maybe i would die with time
love me
all i need is a hug
embrace me
'cause times are going too rough

and as i think i'm lost nowhere
i find where i am all alone
and as i'm desperating slowly just looking
at my night without stars
i praythat someone could call
but then a picture of my own
tells me i'm made to fall

and it's a picture of my own
a picture of my own
a picture of my own
that's making me feel this way
and i'm so sorry babe
it's all so silent here
up here
here,here...

"Picture of My Own" - Finger Tips

Pois, o mau tempo voltou. Já devia calcular... :-(

Quarta-feira, Outubro 20, 2004

Mudanças


A minha firma mudou de local.

Agora, oficialmente, estamos em Lisboa.

Só nos deslocámos um par de quilómetros, mas foi suficiente para mudar de concelho, cidade, etc...

E mudámos em tudo: no mobiliário, no espaço, no ambiente, no ar que respiramos, na vista que observamos...

Mas fez-me pensar: também nós podemos mudar muito sem ter que percorrer grandes percursos.

E podemos trocar o que nos veste, o que nos cerca, com quem estamos, como nos comportamos.

Só depende de nós.

Basta querer!


...(Adoro mudanças)

Segunda-feira, Outubro 18, 2004

Buda e Pest

Eram duas cidades diferentes e hoje são apenas uma: a capital da Hungria.

O livro do Chico é complicado.

Muito bonito, mas labiríntico (para utilizar um dos adjectivos de um outro comentário).

Não é escrito - é cantado.

É corrido.

Quase não pára e, quando o faz, não sabemos se estamos mais à frente ou mais atrás.

Anda do presente para o passado; do Rio para Budapeste; da Vanda para a Kriszta; de um livro para o outro.

Mas fala do que é normal para cada um de nós: do amor e do fim do mesmo, do trabalho e da frustração, da realidade e do sonho.

Perdão, não fala - toca.

Está escrito em Português, mas com sotaque.

E é engraçado, porque o próprio livro tem tudo a ver com as Línguas e a forma característica de as falar, com pronúncia, com sotaque, com música.

É giro.

Segunda-feira, Outubro 11, 2004

Budapeste


Não, não vou viajar de novo.

Estou a ler o livro do Chico Buarque: "Budapeste".

É giro.

Leiam!

Quinta-feira, Outubro 07, 2004

Universos Paralelos - fim


A quem possa ter aborrecido por ter escrito tanto sobre o tema dos Universos Paralelos, desde já peço desculpa.

Eu próprio costumo fugir dos blogs que têm textos imensos nos post, e por isso dividi o meu texto em vários.

E juro que hoje é o último.

Mas é que queria mesmo falar disto.

A verdade é que aquela situação vivida com a minha filha despertou em mim a vontade de cumprir um objectivo que tenho mantido ao longo destes anos todos: possibilitar, dar, criar, proporcionar bons momentos, boas recordações, boas emoções a quem partilha a vida comigo, independentemente de serem pessoas de família, amigos, ou outros que, em dado momento, nos são chegados e queridos.

E ,embora o meu lado mais racional grite palavrões e chame os piores nomes ao meu lado mais imaginativo e emocional, por acreditar em tal possibilidade, a verdade é que acredito que estamos neste mundo para ser felizes.

E assim, para alcançar a felicidade eterna, não há que falhar: é só criar boas recordações em todos os momentos da nossa vida, com o maior número de pessoas possível.

Dessa forma, estaremos presentes numa série de universos paralelos junto daqueles que mais amámos.

E não vejo que outra ideia de Paraíso possa ser mais perfeita do que esta.


PS: vocês também estarão lá - no cantinho dos blogs: sem cara nem voz, apenas com as letras impressas num écran alvo, com os quais comunicarei através de um teclado sem fios!
;-)

Sexta-feira, Outubro 01, 2004

Universos Paralelos V

(...continuação)

É por isso que poderíamos concluir que deve mesmo existir um número infinito de universos paralelos nos Cosmos, acontecendo todos ao mesmo tempo, com as mesmas pessoas revisitando momentos completamente diferentes das suas vidas passadas, que por sua própria escolha, quer como resultado da escolha de outros.

De outro modo não poderíamos chamar Céu ao Céu.
Se esta hipótese não fosse possível, obrigando pessoas a ficar sozinhas para sempre, então seria o Inferno!


E, com a existência de universos paralelos, só conceberia o Inferno como um sítio em que estariam aquelas pessoas com as quais ninguém teria escolhido ficar (e que elas próprias não teriam escolhido ninguém).

Mas seria muito difícil acreditar que, nesta teoria, tal sítio existisse – ou então encontrar-se-ia vazio.

Porque até as pessoas mais maquiavélicas foram crianças ingénuas no início das suas vidas.

E ainda que não guardassem boas recordações desses tempos, nem conseguissem encontrar um símbolo de amor ou segurança na sua vida, haveria sempre alguém que as teria amado numa determinada altura (por mais curta que fosse).

Quer fosse um amigo, um familiar, um estranho numa situação especial – ou o próprio Deus, é claro.


(continua...)

Segunda-feira, Setembro 27, 2004

Universos Paralelos IV

(...continuação)

Há imensas situações que poderíamos tentar – todas terão sempre pelo menos duas opções, mas geralmente essa escolha será ilimitada.

E daí a necessidade de existência de uma infinidade de universos paralelos – conseguem imaginar?

Voltando ao meu exemplo original (a situação real com a minha filha), eu poderia escolher brincar com ela para sempre, e ela estaria naquele quarto comigo.
Mas depois ela poderia escolher ficar com o seu primeiro namorado, noutro sítio, noutro tempo, com outra idade.


E eu, de certeza absoluta, escolheria também uma idade em que o meu segundo filho estaria comigo a jogar à bola na relva de um jardim, num fim de tarde primaveril.

E o meu primeiro amor? É claro! Se não o primeiro, o segundo – ou o terceiro. Não interessa – escolheria o melhor de todos (ou escolheria todos!).
Não fariam o mesmo?

O engraçado desta hipótese seria o facto de que, imaginando que existiriam uma série de pessoas que nunca escolheria para partilhar a minha eternidade, estas poderiam ainda assim escolher-me como parte dos seus mais belos momentos.
E eu teria que estar lá – era a sua escolha!

Portanto, desde que não me sentisse miserável (o que Deus certamente teria em conta, não permitindo essa situação), porque não?


(continua...)

Quinta-feira, Setembro 23, 2004

Universos Paralelos III

(...continuação)

Analisemos outro exemplo:

Imaginem que estiveram casados cinquenta anos com o vosso parceiro.

Nunca tiveram grandes brigas ou problemas graves – o Amor superou sempre tudo.
E tiremos as crianças desta equação – nunca tiveram filhos.

Morreram, chegam ao Céu e Deus deixa-vos escolher a idade que preferirem (a tal que deveria reflectir a época mais feliz das vossas vidas).

Agora pensem bem: escolheriam passar também a eternidade com a mesma pessoa? Ou aproveitariam para escolher aquele momento em que beijaram o vosso primeiro amor, naquela praia de areias finas e quentes, gentilmente salpicados pelas gotas salgadas das ondas?

Difícil, hã?

(E lembrem-se, ainda que optassem pelo vosso companheiro de vida, será que ele/ela faria a mesma opção?)...


(continua...)

Segunda-feira, Setembro 20, 2004

Universos Paralelos II

(...continuação)

Mas simulemos que até conseguíamos efectuar a escolha, após um aturada análise do nosso passado, da melhor idade da nossa vida.
Vamos supor que eu escolhia mesmo a idade que tinha quando a minha filha estava a brincar comigo no chão do seu quarto.

Deus colocar-me-ia lá, naquele mesmo quarto de brinquedos, com a mesma janela de cortinas rosa-claro que deixavam passar a imensa luz do sol de um maravilhoso dia de Verão.
E eu esperaria um tempo infinito pela minha filha, mas ela não apareceria.

Porquê?


Primeiro, pensaria eu, porque ainda estava a viver a sua vida na Terra.
Mas depois de centenas de anos à espera, chegaria facilmente à conclusão que ela tinha escolhido uma outra idade – quase de certeza utilizando a minha mesma filosofia: teria optado por ficar com a idade em que brincava com os seus próprios filhos...

E lá ficaria eu para toda a eternidade fechado num quarto de criança, sozinho com os seus brinquedos.

E ela? Será que os seus filhos escolheriam a idade de criança ou optariam também por uma fase adulta, e por aí fora?
Ficaria também sozinha?

Conseguem imaginar um Céu cheio de pais e de mães fechados em quartos de brinquedos à espera que os seus filhos aparecessem?

Não é bem a minha ideia de Paraíso.

Nem deverá ser a vossa, de certeza.

(continua...)


Sexta-feira, Setembro 17, 2004

Universos Paralelos I


Quando a minha filha tinha quatro anos (hoje tem mais dez), estávamos a brincar no chão do seu quarto quando me perguntou:
-
Papá, quando morremos e vamos para o Céu, com que idade ficamos?
- Acho que Deus nos deixa escolher a idade que quisermos, provavelmente aquela em que fomos mais felizes. – respondi, mais para satisfazer a sua curiosidade do que para resolver a sua preocupação.
- Então acho bem que escolhas a tua idade actual, porque eu vou escolher agora como a idade mais feliz da minha vida. – replicou.


Tive que me levantar do chão, ir à casa-de-banho lavar os olhos e engolir em seco uma série de vezes até conseguir regressar à sua companhia.



Bem, em primeiro lugar tentem esquecer que isto foi uma conversa com uma criança de quatro anos de idade – não é normal. Tenho um outro filho com oito anos e, até hoje, nunca teve comigo um debate metafísico deste nível (embora expresse o seu amor de muitas outras formas).

Mas o que me fez pensar mais tarde foi a questão ali levantada: e se Deus nos deixar mesmo escolher a idade que preferimos?

O que escolheriam?
O que escolheria eu?
E até a minha filha, depois de se apaixonar ou de ter filhos, será que escolheria mesmo aquela idade?
Muito dificilmente.

A verdade é que eu próprio escolheria antes a idade em que brinquei com ela do que a idade em que brinquei com os meus pais.
Ou não?

Depois de uma vida inteira cheia de preocupações, desafios, escolhas, acidentes e incidentes, não escolheria eu antes voltar à minha infância? Ao tempo inocente em que a minha única preocupação era levantar-me o mais cedo possível para continuar a brincadeira da noite anterior?

Afinal, esta poderia não ser uma escolha assim tão fácil e óbvia.

(continua...)


Quinta-feira, Setembro 09, 2004

Gosto de Ti!


Porquê?


Porque sim!

Porque gosto.

Porque me fazes sentir bem.

Porque posso ser eu próprio sem máscaras ou truques de ilusionismo.

Porque posso falar de tudo contigo.

Porque conseguimos ver um filme juntos, mesmo que um de nós não goste.

Porque rimos e choramos das mesmas coisas.

Porque o gostarmos um do outro já deu frutos dos quais é impossível não gostar!

Porque mesmo sem palavras nos entendemos.

Porque no escuro nos descobrimos.

Porque fazer amor contigo é sempre melhor que a vez anterior.

Porque sabe bem acordar e estares aí.

Porque gosto quando tomamos o pequeno almoço juntos.

Porque sinto saudades quando não estou contigo.

Porque quando a vida pára nós conseguimos estar um com o outro.

Porque sobrevivemos juntos a muita coisa.

Porque mesmo quando estamos mal sabemos que vai passar.


Porque tu cuidas de mim.

Porque prometi aos deuses que cuidaria sempre de ti.

Porque eu gosto de ti.


Porque nunca deixei de gostar!

Porque tu gostas de mim...?


;-)

Terça-feira, Setembro 07, 2004

O Evangelho segundo Maria


Isto é apenas resultado do que tenho andado a ler: começou com O Código Da Vinci (romance), passou pelo o Código Da Vinci Descodificado (factos reais e presunções falsas na origem do romance) e finalizou em O Segredo dos Templários (estudo histórico esotérico sobre uma série de coisas relacionados com tudo o que está nos outros livros). E ainda me falta ler um!

Mas continuando, segundo estes investigadores, o grande segredo dos Templários, a busca do Graal, a origem de certos grupos maçónicos, a Pedra Filosofal, etc, não são mais do que manifestações de uma grande verdade escondida há milénios pela Igreja Cristã: o verdadeiro Messias era João Baptista; Jesus não passou de um sacerdote de um culto de raízes egípcias que aproveitou o assassínio de João para "brilhar"; e Maria Madalena foi casada (ou viveu) com ele, sendo a sua principal discípula (maior que Pedro) - e é ela que aparece ao lado direito de Jesus n'A Última Ceia de Leonardo Da Vinci.

Mas porquê tudo isto? Porquê esse segredo? Porque não contaram a história como devia ser?

Aparentemente, porque ela era uma mulher e, já nesses tempos, tal poder no feminino era impensável (nomeadamente para Pedro e Paulo, que trataram de contar a história de outra forma, e de séculos de domínio de Roma, que trataram de apagar todos os outros vestígios).

Parte da base desta teoria (pelo menos da que respeita à predilecção por Maria) está no texto abaixo apresentado, um dos evangelhos gnósticos (testos antigos que foram excluídos ou que nunca entraram na composição da Bíblia), onde Pedro põe em causa o tratamento preferencial que Jesus dava a Maria Madalena.

A ser verdade (nunca será provado), isto explicaria muita coisa que aconteceu no Mundo Ocidental nestes anos todos.

E, principalmente, porque é que as mulheres só agoram recomeçam a conquistar o seu lugar na sociedade, à medida que a religião vai perdendo o seu peso na gestão dos estados.

Chapter 9

1) When Mary had said this, she fell silent, since it was to this point that the Savior had spoken with her.
2) But Andrew answered and said to the brethren, Say what you wish to say about what she has said. I at least do not believe that the Savior said this. For certainly these teachings are strange ideas.
3) Peter answered and spoke concerning these same things.
4) He questioned them about the Savior: Did He really speak privately with a woman and not openly to us? Are we to turn about and all listen to her? Did He prefer her to us?
5) Then Mary wept and said to Peter, My brother Peter, what do you think? Do you think that I have thought this up myself in my heart, or that I am lying about the Savior?
6) Levi answered and said to Peter, Peter you have always been hot tempered. 7) Now I see you contending against the woman like the adversaries.
8) But if the Savior made her worthy, who are you indeed to reject her? Surely the Savior knows her very well.
9) That is why He loved her more than us. Rather let us be ashamed and put on the perfect Man, and separate as He commanded us and preach the gospel, not laying down any other rule or other law beyond what the Savior said.
10) And when they heard this they began to go forth to proclaim and to preach.

The Gospel According to Mary

Note-se bem que não advogo nem recuso esta teoria - apresento-a aqui apenas como curiosidade e partilha de informação. Mas agradeço comentários.
Interessante, não é?

Sexta-feira, Setembro 03, 2004

Carta de Demissão


Quero pedir urgente a demissão,
Do compromisso banal de ser adulto,
E me recuso a prestar o velho culto,
De insanidade, problemas e ambição.

Retroceder ao tempo da descontração,
Ir com os ventos, viver cada minuto,
Com a pureza no olhar, sem nada oculto,
Correr na chuva, sorrir, deitar no chão.

Quando o cansaço chegar, dormir profundo,
Ir passear no sonhar, em outro mundo,
Brincar de nuvem, num céu que é colorido.

E extasiado em viver cada momento,
Quero gritar bem alto, aos quatro ventos,
Que desse mundo sem cor, fui demitido.

"Pedido de demissão da vida adulta" - Martinho Ferreira de Lima




Quarta-feira, Setembro 01, 2004

Ô-ô-Ô-ô-ô-ô-Ô-ô-ô-Ô-ô-ô-Ô...

Dorme meu menino a estrela d'alva
Já a procurei e não a vi
Se ela não vier de madrugada
Outra que eu souber será pra ti
Outra que eu souber na noite escura
Sobre o teu sorriso de encantar
Ouvirás cantando nas alturas
Trovas e cantigas de embalar
Trovas e cantigas muito belas
Afina a garganta meu cantor
Quando a luz se apaga nas janelas
Perde a estrela d'alva o seu fulgor
Perde a estrela d'alva pequenina
Se outra não vier para a render
Dorme quinda à noite é uma menina
Deixa-a vir também adormecer


Canção De Embalar (Zeca Afonso)

Boa noite ;-)

Segunda-feira, Agosto 30, 2004

Regresso


Como prometido, estou de volta!

Regressado de férias, ainda tisnado pelo Sol, mas a pelar.

E também como prometido, com um novo look - Outono/Inverno, se desejarem.

Não estou inteiramente feliz com o resultado, mas às vezes a mudança é importante só pela mudança em si e não tanto pelo resultado final.

E como nada é eterno, vou acertando os pormenores ao longo do caminho (não estou a ser metafórico, embora isto se aplicasse a mim próprio).

Pois é - estou de volta e estou feliz: descansado, relaxado, e de bem com todos os que gosto.

E ainda tenho um dia de férias!

Bem vindos ao meu novo Spot!

Terça-feira, Agosto 10, 2004

Aniversário


Hoje, o alter ego do sPOt faz anos: 37!

Já tinha idade para ter juízo, hein?

Beijos e Abraços :-)

Sexta-feira, Agosto 06, 2004

Dear Friends


So dear friends,
Your love has gone
Only tears to dwell upon,
I dare not say
As the wind must blow,
So a love is lost
A love is won,
Go to sleep and dream again
Soon your hopes will rise,
And then from all this gloom
Life can start a new,
And there'll be no crying soon

Words and music by Brian May (Queen, Sheer Heart Attack, 1974)


Vou de férias. Até Setembro!!!

Quinta-feira, Agosto 05, 2004

Sossega Coração


Sossega, coração!

Não desesperes!
Talvez um dia, para além dos dias,
Encontres o que queres porque o queres.
Então, livre de falsas nostalgias,
Atingirás a perfeição de seres.

Mas pobre sonho o que só quer não tê-lo!
Pobre esperança a de existir somente!
Como quem passa a mão pelo cabelo
E em si mesmo se sente diferente,
Como faz mal ao sonho o concebê-lo!

Sossega, coração, contudo!
Dorme!
O sossego não quer razão nem causa.
Quer só a noite plácida e enorme,
A grande, universal, solente pausa
Antes que tudo em tudo se transforme.

Fernando Pessoa 2-8-1933.


Pois, o Fernando é que a sabia toda...

Terça-feira, Agosto 03, 2004

Simplificar



"Simplificar a vida é, acima de tudo, viver no aqui e agora, atento ao momento presente e a si próprio e como se relaciona com a situação deste momento presente, porque o futuro o aguarda e será seu fruto. É libertar-se das preocupações dos problemas e trabalhar com o objetivo de resolvê-los a seu favor, focando na solução dos mesmos.

Simplificar a vida é gerar desenvolvimento da paz interior e do discernimento, através do autoconhecimento, para que possamos fazer as melhores escolhas no dia-a-dia em função da meta maior, que é tornar-nos indivíduos plenos e realizados."


Maria Aparecida Bressani (psicóloga e psicoterapeuta Brasileira)


Eu até já devia ter suspeitado: numa altura complicada da vida, o que preciso mesmo é de simplificar.

Mas como é possível que uma acção cuja palavra significa "tornar simples" seja tão difícil de realizar?

Está decidido: para começar, estas férias vão ser vividas dia-a-dia, no presente, Hoje!

E depois se verá.

Não vou complicar.

É simples!

Sexta-feira, Julho 30, 2004

O que é que a vida vai fazer de mim?

 
Agora eu era o herói
E o meu cavalo só falava inglês
A noiva do cowboy
Era você além das outras três
Eu enfrentava os batalhões,
Os alemães e seus canhões
Guardava o meu bodoque
E ensaiava o rock para as matinês.

Agora eu era o rei
Era o bedel e era também juiz
E pela minha lei
A gente era obrigada a ser feliz
E você era a princesa que eu fiz coroar
E era tão linda de se admirar
Que andava nua pelo meu país.

Não, não fuja não
Finja que agora eu era o seu brinquedo
Eu era o seu pião, o seu bicho preferido
Vem, me dê a mão,
A gente agora já não tinha medo
No tempo da maldade acho que a gente nem tinha nascido.

Agora era fatal
Que o faz-de-conta
terminasse assim
Pra lá desse quintal
Era uma noite que não tem mais fim
Pois você sumiu no mundo sem me avisar
E agora eu era um louco a perguntar

O que é que a vida vai fazer de mim?

(João e Maria - Chico Buarque)
 
 
Uma boa pergunta - alguém tem uma boa resposta?
 
Bom fim de semana!

Quarta-feira, Julho 21, 2004

"Soap"

Olá!
 
Após duas semanas exactas de ausência, estou de volta - e agora a cores!!! 
 
Mas aviso já que em meados de Agosto vou de férias três semanas!
 
Por isso não estranhem.
 
Aproveito para agradecer a todos os que me visitaram na minha ausência e deixaram os grafittis na parede da loja a dizer passei por aqui.
 
Como disse, estive a visitar fornecedores de blogues para montar a colecção Outono-Inverno (a sair em Setembro).
 
A velha loja terá uma nova montra a partir dessa altura - e, como sou exigente, demorei muito a escolher (aliás, ainda não decidi por completo o que vou fazer a este blogue).
 
Mas será diferente do actual (pelo menos esteticamente).
 
Quanto a conteúdos, o facto é que o Verão tem o condão de fazer esquecer alguns problemas, e isso, no meu caso, implica uma quebra de assuntos sobre os quais falar.
 
Se não posso falar de desgostos de amor, problemas familiares, pensamentos profundos, dúvidas existenciais, e por aí fora, para que é que hei-de publicar alguma coisa?
 
A verdade é que não me puxa para falar de coisas boas que me acontecem.
 
Nem sequer é por orgulho, modéstia, ou falta de acontecimentos. Apenas não acho que este seja o sítio para tal.
 
Gosto muito de comemorar as minhas vitórias pessoais, quer no emprego, quer na vida em geral, mas prefiro fazê-lo com quem me é mais próximo.
 
Pronto, acabei de contradizer-me: já uma vez aqui afirmei que vocês são importantes para mim; e que me ajudam a superar certos estados de espírito; e que falo convosco sobre coisas que não digo a mais ninguém - como posso estar agora a dizer que não me são próximos?
 
Mas não gosto de vangloriar-me.
 
Portanto, deixo escapar apenas o seguinte: a minha vida profissional teve recentemente uma evolução muito positiva, e a minha vida familiar está a ir no bom sentido.
 
Mas dentro da minha cabeça eu ainda tenho dúvidas quer em relação à primeira, quer em relação à segunda!
 
Confusos?
 
Deixarão de estar depois de mais um episódio de... sPOt! ;-)
 
  


Quarta-feira, Julho 07, 2004

Volto já

Sexta-feira, Julho 02, 2004

Sibila


Querubim dançante
Que flutuas
E bailas à luz
Do Luar,
Por favor
Olha-me!
Ensina-me a arte
De tão bem dançar.

Estrela cadente
Que cais pela noite
Do Céu para a Terra,
Por favor
Atinge-me!
Derrete-me!
Diz-me
O porquê desta Guerra.

Dente-de-Leão
Que foges
Do chão
E vives no ar,
Desce até mim!
Ajuda-me,
Enfim,
A conseguir amar!

PO 15/3/88

PS: Ao ser publicado, passa a ser de todos (principalmente dos que ainda acreditam), mas dedico-o a ti Estrelinha ;-)

Quinta-feira, Julho 01, 2004

Portugal!!!


A vantagem de viajar muito (ainda que em trabalho), é que acabamos por fazer muitos amigos noutros países.

Nos últimos dias (desde o jogo contra a Espanha), tenho recebido mensagens, telefonemas e e-mails dos mais variados pontos da Europa, Norte de África e América do Sul.

São sempre votos de parabéns pelo jogo efectuado, felicidade para o jogo seguinte, regojizo pela nossa passagem ou actuação, ou manifestações de agrado por determinado adversário ter sido afastado da competição.

Mas todos eles me transmitem uma sensação de honra, respeito e satisfação quer pela actuação da equipa, quer pela organização do evento em si mesmo.

E eu, que não sou nada dado a patriotismos fáceis, dou a mão à palmatória, baixo a cabeça em respeito, inclino-me perante tal manifestação de solidariedade e apreço pelo nosso país.

E numa altura em que um português foi escolhido (não importa em que grau de decisão) para liderar o destino da Europa (25 países!!), só tenho que ter orgulho em ser Português.

E é este orgulho, esta necessidade de não falhar agora que toda a gente tem os olhos postos em nós, que me leva a defender com unhas e dentes o que é nosso, mesmo depois do campeonato acabar e dos estrangeiros deixarem a nossa terra: Portugal!

Portugal sobreviverá à nossa vitória ou derrota no Domingo; sobreviverá à saída do nosso PM lá para fora; sobreviverá à sua actuação (boa ou má) nesse palco internacional; sobreviverá às eleições que deveriam acontecer (porque devemos ser nós a escolher quem nos governa - apenas por isso); e, por fim, sobreviverá a qualquer eventual instabilidade económica ou política que nos atinja (mais uma vez!).

Quando voltar a viajar, quero ter bons motivos para falar com os meus colegas. Portanto vamos lá todos ajudar!!!

Escrevo-o aqui e digo-o a quem fala comigo no dia a dia: Portugal sobreviverá! Portugal viverá!

Viva Portugal!

PS: Para quem afirmava não gostar de patriotismos fáceis... ;-)

Domingo, Junho 27, 2004

Mãe


A minha Mãe fez anos no Sábado: 62!

Sem dizer nada, e apesar de uma manhã de ressaca, reuni as tropas e lá fomos todos (filhos e esposa), depois do almoço, à região de Torres Novas, onde mora com o meu pai.

Comprámos um bolo numa pastelaria lá da terra e lá surpreendemos uma mãe super-feliz e chorosa de alegria. Cantámos os parabéns na hora do lanche e à noite fomos jantar fora.

Entre ontem e hoje, antes de voltar a Lisboa a meio da tarde, dormi duas sestas, tomei dois banhos refrescantes no tanque do poço, chateei o cão, comi duas laranjas dulcíssimas que ainda sobraram da Primavera (e que a minha mãe guardou para mim), estendi-me na rede debaixo das duas laranjeiras, e deixei-me perder por várias vezes na contemplação da vegetação, das aves, do céu... Enfim, voltei à minha infância.

Os meus filhos não me chateiam muito (e não querem que eu os chatei a eles!).
Com quem partilho a vida de casado (não é segredo, pelos meus posts) tenho alguns períodos muito maus - mas estes últimos dias foram muito bons!
Os meus pais não pedem nada - só me dão! Tento retribuir como aqui tenho demonstrado.

E eu, já não tenho dúvidas (e dias como estes assim confirmam), sou aquilo que alguém um dia me chamou: Menino Grande.

(Ver Post 27 de Março)

Sexta à noite


Na sexta-feira passada houve jantar da empresa.

Fomos a um restaurante brasileiro (tinha que ser...), em Sintra, para reavivar as memórias da nossa ida ao Brasil, assistindo à projecção do vídeo que um colega se deu ao trabalho de registar durante a viagem.

Foi giro, mas não foi "muuuito giiiro"...

Depois, já perto da uma da manhã, um grupo restrito rumou a Alcântara, tendo como destino o Blues. Ainda estava um ambiente calmo quando chegámos, mas foi bom porque deu para estar um bocado a falar.

Depois começou o barulho e lá descemos para a pista. A meio da noite o grupo estava reduzido a quatro (dois eles e duas elas), mas também, quem é que estava a contar? A qualidade de quem estava é que interessava - e essa era muito boa (em todos os sentidos).

Estava muito calor. Estava já muita gente nessa altura (muitos franceses e alguns gregos - do jogo da noite anterior). Acabámos por passar os últimos largos minutos na esplanada, ao ar livre, a falar de tudo e mais alguma coisa.

Um colega tardio juntou-se-nos já no final e desafiou-nos para ir ali mesmo ao lado, ao Docks.

Confesso que resisti um bocado. Não estava muito virado para ali. Não era decididamente a minha noite. Estava ali mas a minha cabeça não. Não gozei muito, devo dizer. Estive quase sempre absorto, aéreo, ausente. Mas lá acedi. Uma das colegas desistiu e já não foi.

Estava impossível: era Ladies Night no Docks. Já não havia vodka! E a fila para pedir qualquer outra coisa não tinha fim. Mas lá conseguimos. Mais uma vez, os estrangeiros abundavam. Não vale a pena confirmar que estava apinhado de mulheres (míudas, na sua maioria). E a música estava muito boa.

A última colega resistente decidiu ir embora e eu saí com ela, abandonando os meus camaradas à sua sorte numa discoteca em noite de ladies (pobres rapazes, ainda não tive notícias deles...).

Estando ambos com fome (eram 5 da matina), parámos para comer um cachorro antes de regressar a casa. A noite estava quente e o céu estrelado. Falámos do jantar e de uma ou outra coisa sem importância. Nada mais.

Não era a minha noite, não estava para ali virado.

E o facto de ser "aquela" colega, uma amiga, alguém com uma situação pessoal muito semelhante à minha, com quem já falámos de tudo e de quem sabemos que as coisas ainda não estão bem, tiram a vontade de falar de coisas pessoais.
A última coisa que queremos é despertar os demónios (da outra pessoa e dos nossos!). E os meus já me tinham impedido de tirar partido dessa noite na sua plenitude.

Além disso, tinha-lhe dito que eu nunca iria puxar pelo assunto - quando quiser falar disso, há-de ser ela a dizer. Mas sabe que estarei lá para ouvir. No entretanto, falamos das coisas boas (mas ficarão sempre os olhares, os gestos, o comportamento diário para dar a entender se se está bem ou menos bem).

Força amiga! Beijinhos e até segunda!

Sexta-feira, Junho 25, 2004

Viva Portugal!


Seria impossível escrever algo triste hoje.

A verdade é que, mesmo que não tivesse vibrado que nem um louco ontem à noite, hoje seria impossível não partilhar do contentamento geral dos Portugueses.

Foi um jogo louco, pleno de emoção até ao fim.

Mas acho que é um pouco mais do que o simples jogo de futebol que nos está a causar esta alegria colectiva.

Acho que o sentimento geral dos últimos tempos dos Portugueses era de tristeza, depressão, preocupação, derrotismo, decepção e falta de confiança no Futuro.

E o começo deste Europeu não ajudou: após o jogo com a Grécia lá vieram os Velhos do Restelo clamar que bem tinham avisado, que Portugal isto e Portugal aquilo, e que não íamos a lado nenhum.

Por algum motivo, o simples facto de termos anulado estas previsões pessimistas tão nossas, ainda nos deu mais alento do que a simples constatação das vitórias entretanto acontecidas.

Foi como se o lado bom de nós próprios tivesse vencido o lado mau de nós próprios.

No fundo não derrotámos a Rússia, a Espanha e a Inglaterra - derrotámos o nosso alheamento, o nosso pessimismo, a nossa triste fatalidade para o infortúneo.

Anulámos o Portugal que há algum tempo estava a definhar, com o Portugal que nos enche de orgulho, glória e capacidade de lutar contra a adversidade.

Seria impossível estar tão contente com apenas um jogo de futebol.

A multidão que ontem e esta madrugada andou nas ruas aos milhares, não ganhou nenhuma a taça (ainda?) - o que estavam a comemorar, então?

Muito simplesmente: a vitória dos seus próprios fantasmas.

Independentemente do que possa acontecer a partir de agora:

Viva Portugal!

Quarta-feira, Junho 23, 2004

É minha, a culpa?


Sei lá! Sei lá! Eu sei lá bem
Quem sou? Um fogo-fátuo, uma miragem...
Sou um reflexo... um canto de paisagem
Ou apenas cenário! Um vaivém

Como a sorte: hoje aqui, depois além!
Sei lá quem sou? Sei lá! Sou a roupagem
De um doido que partiu numa romagem
E nunca mais voltou! Eu sei lá quem!...

Sou um verme que um dia quis ser astro...
Uma estátua truncada de alabastro..
Uma chaga sangrenta do Senhor...

Sei lá quem sou?! Sei lá! Cumprindo os fados,
Num mundo de maldades e pecados,
Sou mais um mau, sou mais um pecador...



Florbela Espanca, "Minha culpa"



Segunda-feira, Junho 21, 2004


Quando era miúdo e andava à bulha com outros miúdos, havia sempre uma altura em que prendíamos o outro (ou ele a nós) e se fazia a famigerada pergunta:
- "Desistes?"

Se a resposta era não, continuáva-se a apertar, a bater ou a fazer algo tão extremo que o outro (ou nós) tinha mesmo que dar o braço a torcer:
- "Desisto!"

E tudo acabava ali.

Nos últimos meses, estas perguntas e respostas entram quase diariamente na minha vida, mas até agora respondi sempre:

- "Não! Não desisto!"

Até quando?

Em que altura decidimos que é chegada a hora de desistir?
Quando em vez de tal luta nos dar prazer nos começa a dar mau-estar?
Quando o sofrimento é atroz?
Quando a luta em si já não nos diz nada?
Quando até estávamos a ganhar mas isso já nem importa?

Porque é que se decide que é chegada a hora de abandonar a luta?
É por covardia? Por a luta em si nos assustar?
É por medo de nos aleijarmos mais?
É porque sabemos que somos mais fortes e não queremos magoar o outro?

Como se toma tal decisão?
Como se diz à outra pessoa:
- "Desisto! Já não sou capaz de argumentar. Ganhaste!"

E se nesta luta ninguém ganhar?

E se o que estiver em causa é sempre uma derrota, independentemente de ser um ou outro a desistir?

Ou será que a desistência é uma vitória para ambos, uma vez que a luta acaba e assim o sofrimento que ela nos provoca também?

- "Desistes? ...E isso faz-me feliz?"

Sexta-feira, Junho 18, 2004

É impossível ser feliz sozinho?


Vou te contar,
Os olhos já não podem ver,
Coisas que só o coração pode entender,
Fundamental é mesmo o amor,
É impossível ser feliz sozinho.

O resto é mar,
É tudo que eu não sei contar,
São coisas lindas que eu tenho pra te dar,
Fundamental é mesmo o amor,
É impossível ser feliz sozinho.
(...)


Vou te Contar (Excerto), Tom Jobim.

Estou a repetir-me pois já tinha publicado esta letra logo no início do meu blog.
Mas faz sentido para mim colocá-lo hoje de novo.

E, para quem gosta de desafios, agradeço a resposta à pergunta.

Beijos e Abraços!
;-)

Segunda-feira, Junho 14, 2004

Soneto do maior amor


Maior amor nem mais estranho existe
Que o meu, que não sossega a coisa amada
E quando a sente alegre, fica triste
E se a vê descontente, dá risada.

E que só em paz se lhe resiste
O amado coração, e que se agrada
Mais da vida eterna aventura em que persiste
Que de uma vida mal-aventurada.

Louco amor meu, que quando toca, fere
E quando fere vibra, mas prefere
Ferir a fenecer - e vive a esmo

Fiel à sua lei de cada instante
Desassombrado, doido delirante
Numa paixão de tudo e de si mesmo.


Vinicius de Morais, Oxford, 1938

...Mas podia ser meu e escrito hoje, aqui...

Se me dissessem isto de outra pessoa, diria que era doente ou desequilibrado...

Talvez o seja...
Talvez aquela cabeçada no chão quando era puto me tenha afectado.
Não encontro outra explicação...
E isto num tipo racional como eu, é lixado...

;-)

Domingo, Junho 13, 2004

Semanário


Bem, cá estou eu de novo.

A semana que passou foi extremamente variada, interessante e... complexa.

No Domingo passado parti para Varsóvia, capital da Polónia, onde estive 2ª, 3ª e 4ª em reuniões de trabalho e apresentações super chatas. Até os jantares nos restaurantes locais foram fracos (embora o último tivesse escapado à regra). Valeu a companhia.

Na 5ª fui para Tróia, onde estive até esta manhã com a família. Passámos uns belos dias, com muito sol, muita água e alguma descontração. E não pareceram apenas 3 ou 4 dias - foi tudo muito bem aproveitado, deixando-nos com a sensação de plenitude.

Só que pensei que voltaria renovado e pronto para dois meses que se afiguram difíceis, antes das férias de Agosto, e afinal estou irritadiço, pensativo e de mau-humor.

Mas ao menos estou com um bom bronze! (lol)

Enfim, nada que uma boa semana completa de trabalho árduo não cure.

Para não vos contagiar com o meu estado de espírito, fico por aqui.
Prometo que voltarei assim que tiver algo mais para dizer para além de conversa de circunstância.

Obrigado por manterem o Spot Me! vivo! ;-)

Sábado, Junho 05, 2004

Vivendo...


Pois, não morri!

Nem estive a morrer... (Mas não estamos todos a morrer desde que nascemos?)

Foi apenas um acidente de percurso, esta semana.
Atravessou-se na minha alegria, na minha excitação, na minha ressaca, na minha ingénua felicidade de menino grande.

A Vida tem destas coisas e, como foi ela que me chamou, presumo que estou mesmo vivo, embora os últimos posts dessem a entender o contrário.

Mas se é esta a vida que me chama, o que será a morte?

O pior inferno que me poderia ser dado como pena dos meus pecados, seria um local não de sofrimento físico mas psicológico: um inferno de ignorância; de desprezo; de acções rotineiras e inconsequentes; de burocracias sem sentido; de filas; de encontrões; de arranjos em casa; de reuniões de pais; de conversas sobre o tempo...

Mas pronto, ela chamou e eu cá estou. Sempre a dar o máximo.

E amanhã lá vou eu de novo para fora do país, em trabalho.

Portanto este blog vai ficar parado durante uma semana.

Ou não?
Sei que pareço algo distante ultimamente, mas agradeço sempre a vossa visita e, se assim entenderem, o comentário.

Neste sentido ele não ficará parado, claro.

Estará vivo.

Como eu...

Até para a semana!

Sexta-feira, Junho 04, 2004

Morrendo... IV


Órfão de Pai
E de Mãe,
Desloco-me
Num vai e vem,
Vagueando
Pelos céus.

E o Tempo
Vai correndo,
E lentamente
Morrendo,
Em vão aceno
Um adeus!

PO 6/2004

Quinta-feira, Junho 03, 2004

Morrendo... III


Irmão da fecunda
Terra
Minha alma chora
E berra,
Pela vida
Vagueando.

Mas minha irmã
É tão fria
Que apenas
Me desafia
E aos poucos
Me vai matando.

PO 6/2004

Quarta-feira, Junho 02, 2004

Morrendo... II


Filho do Sol
Intenso
Procuro em tudo
O que penso
Um motivo
Para viver.

Mas o meu pai
Não me entende,
Antes me queima
E ofende,
E mais me ajuda
A morrer.

PO 6/2004

Morrendo... I


Filho da Lua
Brilhante
Percorro o mundo
Num instante
E para a noite
Vou correndo.

Mas minha mãe
Está distante
E eu, num sofrer
Desesperante,
Aos tropeções
Vou morrendo.

PO 6/2004

Terça-feira, Junho 01, 2004

Dia da Criança


Para quem me lê desde o início, sabe que tenho dois filhos: uma menina de 13 e um menino de 7.

Não falo muito deles por aqui - quando digo que este é o meu espaço, o meu diário, falo mesmo a sério: é mais sobre eu, o meu coração, a minha alma.

Mas por isso mesmo, porque são pedaços de mim, estão no meu coração e me alegram a alma, hoje tenho que falar deles.

Seria inútil dizer que são os mais lindos à face da Terra.
Primeiro porque para mim seria declarar o óbvio; segundo porque para quem está de fora seria um exagero - os mais lindos são os vossos (se os
tiverem).

Dizer que são inteligentes como o Pai e bonitos como a Mãe seria mais uma vez exacerbar aquilo que realmente são e que não devem nem a um nem ao outro - são assim porque os Deuses assim o quiseram, e serão tanto mais inteligentes quanto mais se dedicarem a isso, independentemente da orientação que nós façamos.

A minha filha está naquela idade dos telefonemas sem fim, da música alta e barulhenta, da introspecção, da mutação física e dos seus efeitos, da independência, do isolamento, da crítica, do humor negro, da resposta fácil, do confronto, enfim, uma adolescente completa!

Adoro-a! Gosta de desenhar e escrever (como eu), e é toda virada para as belas artes (com um ênfase temporário, espero, para a BD Manga Japonesa). De resto, é ela a responsável por eu estar tão actualizado em relação à música contemporãnea; e é com ela que tenho as conversas mais interessantes sobre tudo e mais alguma coisa.

O meu filho está na idade de jogar à bola, andar de bicicleta, jogar gameboy, de não conseguir estar parado, de me roubar o computador a toda a hora (sim é ele que entra e sai do Messenger e vocês ficam a pensar que eu vos vi e saí logo para não me falarem...), de fazer perguntas sem fim, de implicar com a irmã, de querer saber tudo sobre os carros, ou seja, um puto super activo (mas não hiper-activo)!

É o meu companheiro. Quando eu estava mais em baixo aqui há dois ou três meses, era com ele que eu ia sair ou jogar à bola. Ou com quem me sentava no chão a brincar, durante horas e horas. É sempre dele que me lembro quando estou no estrangeiro e vejo algo que acho que ele gostaria de ter (e, sempre que posso, trago-lhe essa coisa). A sua preferência, nesta fase da vida, vai para a música: aprende sozinho a tocar melodias no seu pequeno piano digital (aqui acho que sai à mãe).

Ambos têm boas notas e bom comportamento na escola.
Para além das maleitas do costume, nunca tiveram grandes problemas de saúde.
Em casa ajudam sempre que isso lhes é solicitado; intervêm quando acham que têm algo a dizer (e são ouvidos); são bestialmente críticos em relação a tudo o que acham que não está bem, e desmesuradamente doces quando sentem que devem apoiar ou quando necessitam de algo mais.

Materialmente nunca lhes faltou nada. Talvez a minha filha tenha demorado mais tempo a adquirir algumas coisas, mas isso tem a ver com a progressão da vida, com a minha carreira, com o ambiente à volta da família. Para o meu filho aparentemente é tudo mais fácil no que diz respeito a conseguir o que pede, pois hoje as coisas estão mais estáveis economicamente.

Por sua vez, psicologicamente, ela é mais forte que ele. Ela apanhou toda a era da felicidade no lar - ele já assistiu a algumas (grandes) discussões, e afastamentos. Mas também eu assisti a grandes desavenças entre os meus pais e isso só me ajudou na vida, por muito traumático que possa ter sido na altura.

O que interessa é que, no meio de tudo, independentemente das crises, continuamos a ser uma família! Unida, aberta e feliz!

Feliz Dia da Criança, filhos!

Segunda-feira, Maio 31, 2004

A Última Noite


A noite em Jeri tem dois ou três locais de eleição (atenção que esta não era a época alta - talvez noutra altura seja bem mais activa).

O primeiro é um barzinho mesmo de frente para a praia, onde, após subirmos umas escadas de madeira, acedemos a um terraço a céu aberto, com bancos de pé alto e um balcãozinho a toda a volta da estrutura, contemplando o mar, a rua, ou os coqueiros. É uma área onde se pode falar e beber, acompanhados por uma música variada mas sempre com o volume baixo, sem perturbar as conversas, e mesmo deixando ouvir a música do bar ao lado.
Foi neste bar que descobri as músicas "Proíbida pra mim" e "Babylon" (esta última que associei de imediato ao Blog da MJM), cantadas por Zeca Baleiro (que então desconhecia). A guia tratou de me inteirar de todo o percurso deste autor e de outro, Zeca Pagodinho (será que todos eles são Zecas?), mais tradicional, com letras igualmente deliciosas, mais viradas para o samba.

O segundo local, mesmo em frente, no outro lado da rua que vai dar à praia, chamava-se "Planeta Jeri", e começava sempre com música ao vivo - sempre ao ar livre.
Nessa noite, após abandonarmos o terraço do primeiro, transferimo-nos para este e acompanhámos a voz quente e forte de uma mulata e do seu acompanhante, cantando êxitos vários (a pedido e tudo), de samba, bossa nova e pop brasileiro contemporãneo.
Depois da meia noite começava a pista de dança, já lá dentro, com as músicas internacionais do momento e com outras mais retro (ou talvez fosse a noite do Disco...).

Às 2:00 já não havia grupo: uns haviam regressado ao hotel há muito; outros ficaram sempre no outro bar; outros permaneceram neste último até ao fim (4:30/5:00); e outros decidiram experimentar algo.
Perto da entrada do hotel ouvia-se um outro tipo de música: forró!
"- Onde é o forró?" - perguntei à guia.
Cansada, disse-me que era aí a uns 100 metros dali, mais acima, já bem dentro da vila.
Não foi difícil convencê-la e às minhas colegas a ver como era: "- então, hoje é a última noite! O único forró que vimos foi o do Pirata, muito giro mas tudo trabalhado. Não querem ver o tradicional?" - e lá fomos.

Este terceiro local parecia um arraial de Sto António.
Tudo ao a céu aberto, havia uma zona de mesas para o petisco e para as bebidas, coberto por um frágil alpendre; uma zona de bar ao balcão; e a zona de dança, sem banda, mas com espaço reservado para tal.
Casais dançavam colados um ao outro, segundo o ritmo da música, mais calmo ou mais acelerado conforme o tema.
Numa área do topo, juntavam-se as moças à espera de par; os moços ficavam-se pelo bar.
E na pista, surpresa total, dois dos meus colegas que haviam desaparecido há muito lá debaixo, dançavam animadamente com duas locais! E que bem que eles estavam.
"- Aprende-se num instante!" - gritava-me um.
"- São só três passos" - dizia-me o outro.
Mas fiquei-me pelo bar, com o resto do pessoal. Já não aguentava muito mais.

Às 3:00 uma das colegas lembrou-me: "- Não te esqueças da chuva de meteoritos!"
Pois era. O barman do primeiro local dissera-nos que entre as 3 e as 4:00 ia haver uma chuva de meteoros visível em toda a costa do Brasil.
Voltámos para a praia, deitámo-nos na areia, e olhámos o céu, espectantes.
"- Alguém trouxe as caipirinhas?" - ouviu-se. Todos riram. Mas tinham mesmo trazido!
Foi uma chuva muito fraca, aqui e ali passavam umas fugazes estrelas cadentes - nada de extraordinário ou de apocalíptico como eu estava à espera.
"- Sabem que se olharmos para este céu e imaginarmos que o estamos a ver de cima e não de baixo, ficamos com a sensação de que estamos a flutuar no espaço?" - afirmei.(*)
Ouve um momento de silêncio, como se estivessem a testar a minha teoria, e depois os comentários vieram em força:
"- Isso já são as caipirinhas a fazer efeito!"
"- Vê lá se flutuas até à cama, que eu não me consigo levantar!"
"- Tens razão!!!"
"- 'Tás é a ver estrelas!!"

Não me lembro como fui para o hotel, mas sei que acordei por volta das 8:30, com uma bela dor de cabeça, na minha caminha (cheia de areia!), e ainda de chinelos nos pés...

Depois disto tudo, após uma manhã de compras nas lojinhas da vila, regressámos de autocarro ao Resort original (a sul de Fortaleza), após 7 horas de caminho, quase sempre a dormir. À noite fizémos ainda uma festa de homenagem ao Chefe pela organização desta viagem, onde fui eu a botar discurso.

O dia seguinte, o último da nossa estadia no Ceará, passou-se já sem aventuras para vos contar, só a preguiçar estendido ao sol, mergulhando nas águas quentes da piscina, e saboreando as últimas capirinhas...

Este foi o meu último post sobre a viagem ao Brasil. :-)


PS: (*) isto é mesmo verdade - experimentem, mas num sítio onde não haja luz de candeeiros de rua. Depois digam-me se não é mesmo assim. ;-)

Domingo, Maio 30, 2004

Lagoa do Paraíso


Depois de cerca de uma hora de caminho por estradas de terra vermelha (contraste fabuloso com a imensa folhagem verde das árvores e arbustos daquela zona), como se a zona das dunas e da praia pertencesse a outro planeta, e com o buggy, sempre aos saltos, a roçar perigosamente quer os ramos, quer as cercas de propriedades privadas que por ali abundavam, chegámos à Lagoa do Paraíso por volta das 13:00.

O nome faz-lhe inteira justiça: é uma lagoa imensa, de água-doce, cercada a toda a volta por areia fina e branca, e rodeada alguns metros mais atrás por toda a espécie de árvores.
Esta mesma lagoa acaba por ter vários nomes, conforme o sítio de onde a observamos, tal é a sua grandeza.
Mas neste local em particular, uma praia privada de infrastruturas criadas por um francês, e agora pertença de (mais) um português, o nome Paraíso adequa-se perfeitamente - e ainda mais se adequou à nossa experiência nessa tarde.

Devíamos só ter parado ali para almoçar, mas acabámos por ficar lá até anoitecer (pouco depois da 17:00).
Depois de nadar, tirar fotografias e beber mais umas caipirinhas, sentámo-nos em grupos de seis à volta de mesas de nadeira à sombra de chapéus enormes de folha de coqueiro ou de palmeira, e deliciámo-nos o resto da tarde a comer lagostas e camarões, bolinhos de queijo e de peixe, acompanhados sempre por garrafas de cerveja servidas numa espécie de termo para manter a sua frescura. Foi simplesmente divinal - e marcou as conversas daí até ao fim da nossa viagem.

No caminho de volta, já de noite, aconteceram várias peripécias: um buggy perdeu-se e outro atolou-se numa das várias lagoinhas que interrompiam a estrada. No tempo que o nosso buggy ficou parado à espera dos retardatários, ficámos deitados no chão arenoso, aqui já coberto de alguma erva, a contemplar o céu estrelado por cima de nós. É das imagens mais vivas que ainda carrego na minha memória (e só aí porque foi excusado tentar apanhar tão belo cenário nas câmaras fotográficas - nunca resultou).

Muito cansados, chegámos a Jeri pouco depois das 20:00. Mais uma vez, alguns não resistiram ao jantar e foram logo para o hotel.

Mas um grupo decidiu que a última noite teria que ser inesquecível.

(continua dentro de momentos...)





Sábado, Maio 29, 2004

Impulsos


Proibida pra mim

Ela achou meu cabelo engraçado
Proibida pra mim no way
Disse que não podia ficar
Mas levou à sério o que eu falei.

Eu vou fazer de tudo que eu puder,
Eu vou roubar essa mulher pra mim
Posso te ligar a qualquer hora
Mas eu nem sei seu nome!

Se não eu, quem vai fazer você feliz?
Se não eu, quem vai fazer você feliz?

Eu me flagrei pensando em você
Em tudo que eu queria te dizer
Em uma noite especialmente boa.

Não há nada mais que a gente possa fazer,
Eu vou roubar essa mulher pra mim
Posso te ligar a qualquer hora
Mas eu nem sei seu nome!

Se não eu, quem vai fazer você feliz?
Se não eu, quem vai fazer você feliz...?

Charlie Brown Jr.
________________

Ontem comecei o dia a ouvir esta música triste, com música de Z. Baleiro, no CD do carro. De repente, parecia que o Brasil tinha acontecido há ano, e eu tinha sido de novo apanhado pelo quotidiano cinzento e amorfo do costume.
Mas durante o dia, por entre incontáveis tarefas e reuniões, lá me fui erguendo, escrevendo, espantando esses demónios - esses Velhos do Restelo pessoais.

E então aconteceu o que nunca antes acontecera: tomado por um impulso, convidei alguém para sair, para falar, para dar uma volta - nada de mais.
Depois de clarificar alguns pontos importantes (nenhum de nós ser Serial Killer, não pertencer a seitas satânicas, nem ser bruxos com verrugas e sem uma perna), lá consegui raptar a gatinha, tirá-la do seu mundo de periquitos demoníacos, e levá-la à Feira-do-Livro.

Hoje, no blog da MWoman, ela fala sobre a não tomada de decisão: que mais vale decidir uma coisa errada do que pura e simplesmente não decidir nada. E dos medos que as pessoas têm em efectuar escolhas, em decidir.
Na minha vida profissional, a toda a hora tenho que decidir, a bem ou a mal, mas não posso ficar inerte, sob pena de falhar completamente.
Na minha vida pessoal não tem sido assim: racionalizo demais, analizo em excesso, e perco-me em pensamentos (se bem que, olhando para trás, as coisas mais importantes da minha vida foram decididas sob stress, em pouco tempo, e com sucesso).
Ontem não - o impulso, a intuição, a necessidade de não estar sozinho (e o facto de estar possuído pelos demónios - endiabrado), levaram-me a agir.
Claro que do outro lado alguém teve coragem e tomou também uma decisão por impulso, na hora.
E em boa hora o fizémos!

Podia ter sido um fracasso? Podia. Podíamos não ter assunto para falar, podíamos ser execráveis ao olhar do outro, podíamos nunca mais visitar os blogs um do outro no futuro. E isso era grave? Grave seria não o fazermos, e nunca saber!

Houve um pedido de ajuda e alguém respondeu.
E, sendo totalmente egoísta, salvou o meu dia!

E vocês, como estão de impulsos? ;-)

Sexta-feira, Maio 28, 2004

O Barqueiro


Na 1ª manhã em Jericoacoara, depois de um pequeno almoço divinal tomado bem junto à praia, debaixo de uma árvore imensa, trocámos o jipe pelo buggy e lá fomos nós à aventura.

Primeiro seguimos pela praia, bem cedo, atingidos por uma chuva miudinha misturada de areia pelo vento, que aleijava a cara, e impedia a visão total da paisagem.

Passámos por vários grupos de pescadores, alguns já com o resultado da sua pescaria, quer fossem camarões ou raias enormes já esquartejadas, prontos a vender ou mesmo a consumir (tinham fogareiros ali ao lado, não sei se para o petisco, se para aquecimento). Mas a chuva não nos deixou parar.

Chegados a uma das aldeias de pescadores, virámos para o interior, em direcção às dunas gigantes que se perfilhavam já no horizonte.

Que dizer? Imaginem um deserto de areia, aos altos e baixos, mas aqui e ali pequenos oásis de coqueiros e outras árvores, arbustos e pequenos lagos.
De início o nosso condutor acelerou ao máximo pela trilha, fazendo-nos saltar ininterruptamente, agarrados com a máxima força aos varões do buggy.
Mas depois dirigiu-se para uma duna imensa à nossa frente e subiu-a a custo, cada vez mais lentamente até chegar ao topo.
Lá em cima deparámo-nos com o precipício: a duna descia quase a pique, e nós com ela - o tipo engatou uma mudança e lá fomos nós!
"- Quais montanhas russas, quais quê - isto é que é radical!!!" - gritava o meu colega do lado, cheio de areia na cara.
A esta seguiu-se outra e outra, mais pequenas, mas com o mesmo efeito.

Até que finalmente chegámos àquela que nem o buggy poderia enfrentar: a sua descida acabava numa lagoa (a lagoa do coração, chamada assim devido à sua forma).
E lá fomos nós, um a um, sentados numa prancha de madeira, fazendo esqui na areia, acabando com um mergulho nas águas cálidas da lagoa.
Depois de umas braçadas e uns mergulhos, faltava o mais difícil: subir a pé aquela imensa massa de areia - uma eternidade!
Por piada, o pessoal que alugava a prancha dizia que a descida custava 3 Reais (+- 1 Euro), mas a subida era oferta (LOL).

Eis-nos de novo em marcha, de buggy, em fila indiana, em direcção à próxima paragem: Lagoa Azul.
Agora deixáva-mos o mar e as dunas para trás, e entrávamos numa área mista, com o chão de areia, mas povoada pelas mais diversas espécies de flora e fauna, e sempre com as águas de uma qualquer lagoa por perto.
Chegados à margem da Lagoa Azul, abandonámos o buggy.
Agora era preciso chegar a uma ilhota paradisíaca que existia no meio do lago de águas azuis transparentes. Para isso, teríamos que ir a nado ou apanhar a barcaça ali existente. E foi isso que fizémos.

Para quem leu Gil Vicente ("Auto da Barca do Inferno") ou estudou a mitologia grega, a ideia de uma barca que atravessa um curso de água para chegar a um destino semi-desconhecido (sabemos o que é mas não como é), tem todo o cabimento aqui - e foi essa associação que fiz de imediato ao ver aquele barqueiro (o nosso Caronte, súbdito de Hades).

Era uma figura inesquecível: de estatura média, super-musculado no tronco e braços, mas com umas pernas atarracadas; a pele vermelha/ocre engelhada pelo excesso de sol; a boca rasgada - imensa, de dentes amarelos enormes, com os lábios gretados do calor; e uns óculos escuros modernos, desses que se vendem nas praias, que impediam de ver a cor dos seus olhos. A rematar, um chapéu à Indiana Jones!

Nunca disse uma palavra nas quatro viagens que teve que fazer para passar toda a gente, embora murmurasse no regresso vários palavrões, devido à luta titãnica que levava a cabo com a corrente e ao peso excessivo da barca carregada de turistas.

Já depois da travessia do meu grupo, enquanto esperava pelos outros, olhava para o meio da lagoa, para aquela barcaça cheia de gente, impulsionada pelo esforço sobre-humano daquele homem e da sua vara que me parecia frágil demais para aquele serviço, e pensava como era irónica a semelhança com a mitologia, excepto a parte final: é que não nos estávamos a dirigir para o Inferno mas para um pequeno Paraíso na Terra.


Quarta-feira, Maio 26, 2004

Curiosidades


Na revista brasileira Veja, edição de 12 de Maio de 2004, saiu um artigo com o título "Virtual? Que nada...".

O artigo fala principalmente de pessoas que tiveram (ou ainda têm) blogs e que ficaram famosos, partindo depois para a publicação de livros, participação em entrevistas, programas de TV, etc.

Entre eles destaca-se um arquitecto iraquiano que criou um blog para contar o seu dia-a-dia em Bagdad, e acabou a fazer relatos da invasão americana. O seu sucesso foi tão grande que acabou a colaborar com o jornal inglês The Guardian, e depois escreveu um livro "O blog de Bagdad". Ele nunca mostrou o rosto, nem o seu verdadeiro nome.

Outra famosa foi Brenda (também nunca divulgou o nome verdadeiro nem admite fotografias), que falava sobre sexo e drogas. Uma editora inglesa pagou-lhe 20 000 USD$ para transformar os seus textos no livro "The World According to Mimi Smartypants". Ficou conhecida como a Bridget Jones de Chicago.

Mas o mais famoso de todos foi um turco de nome Mahir Cagri, que criou um blog sobre um personagem histriónico, representado em dezenas de fotos, e que era visitado pelo David Bowie, Julia Roberts e Brad Pitt. Dizem as más línguas que o inglês utilizado era de bradar aos céus... Em 2000 ele entrou para a lista dos mais famosos da revista Forbes, e no ano seguinte entrou para o Guiness devido aos 50 000 acessos ao seu blog!!!

Mas a nota mais importante e algo surpreendente (para mim), foi o conteúdo de uma caixa de texto sobre estatísticas sobre os blogs:

- Em 2000 existiam 136 000 blogs. Até ao fim deste ano, deverão ser 10 Milhões!;

- 51,5% dos bloggers têm entre 13 e 19 anos de idade!;

- 56% são mulheres!;

- 26% dos blogs não duram mais do que um dia (a duração média dos que sobrevivem está em menos de um ano)!;

- e 66% não foram actualizados nos últimos dois meses.

Tinham noção disto?
Espero que as minhas visitas femininas não tenham a ver só com a desproporção numérica (LOL).
E que pensam da ideia de publicar um livro com os textos dos blogs?
Devo confessar que antes mesmo de abrir o Spot Me! já achava que muitos dos textos de alguns blogs deviam ser publicados.

Enfim, curiosidades...

Rafael


Saímos da Praia das Fontes de manhã bem cedo, em grupos de 5, cada um em seu jipe.

Seguimos por estrada até Fortaleza, a 90 Km dali, onde parámos para um primeiro abastecimento, esticar as pernas, levantar dinheiro, etc.

A partir daí, seguimos sempre junto ao mar, em direcção ao norte, a Jericoacoara, a cerca de 400 Km de distância.

Passámos ribeiros, dunas e outros obstáculos com uma facilidade só possível devido à experiência dos nossos guias e condutores.
O do meu jipe era Índio, certificado pela FUNAi e tudo - era ele que conduzia a caravana. Era um sujeito baixo, entroncado, cabelo muito curto, e uma pele algures entre o castanho, o vermelho (talvez ocre?), e o bronze.

A meio da manhã, numa das praias, observámos um bando de abutres (urubús ou carcarás), voando em círculos sobre um determinado ponto. Já mais perto, percebemos que outro bando já se deliciava com um manjar macabro: uma tartaruga marinha gigante, já sem olhos e putrefacta (morta de velha, segundo o guia).

Ao fim da manhã chegámos a Lagoínha, uma praia magnífica de coqueiros altos e frondosos, onde parámos para almoçar.
Impossível resistir àquela água quente e transparente, que chegava mesmo às mesas da esplanada.

No fim do almoço apareceu o Rafael, miúdo de 11 anos, sujo como breu, a vender cocada (doce de côco, açúcar e leite condensado).
Perguntou-me se podia comer as batatas fritas que eu não quisera, ao que acedi. Mandei-o sentar, e servimos-lhe a bandeja de peixe que tinha sobrado. Comeu um e pediu para mandarmos embrulhar os outros para a família.

"- Quantos irmãos tem você, Rafael?" - perguntei.
"- Nove!" - responde. "- Aqui todo o homem é corno! Meu pai é corno! Meus irmãos são filhos de vários pais! Aqui a mulher não pára quieta - você quer uma mulher?"
As minhas colegas olharam, escandalizadas. Os colegas riam-se, deliciados.
Mudei a conversa:
"- O que você quer ser? Jogador de Futebol?"
"- Quero ser advogado!" - respondeu de imediato "- Ganham muito mais!".
"- Mas para isso você precisa estudar muito, e mentir bem!" - disse, meu a sério, meio a brincar.
"-Toda a manhã eu vou à escola" - respondeu "- E você acreditou que eu tinha nove irmãos, não acreditou?".
Sorri em silêncio.
"- Você tem futuro, Rafael!".
Depois, tirei-lhe uma fotografia, com a promessa de enviá-la para ele através da guia, mais tarde.
"- E caderninho? Você manda caderninho para mim?" - perguntou.
"- Eu vou enviar a foto por correio electrónico - não posso mandar o caderninho" -respondi.
Situação remediada de imediato, quando o resto do pessoal comprou as cocadas por um preço superior ao pedido.

No fim do almoço, voltámos ao caminho. Mais sete horas de viagem até chegar ao destino final, já de noite, e com duas paragens para descansar no caminho, mas agora sempre em estrada, uma vez que a maré cheia impedia que continuássemos à beira-mar.

Nessa noite ainda fomos jantar (alguns não resistiram e ficaram no hotel) e perdemo-nos na noite de Jeri.

Mas esse relato fica para amanhã.


PS: Assim que cheguei a Portugal, enviei a foto do Rafael para a guia, e ela já respondeu a dizer que na próxima semana tem nova excursão, e vai entregar-lha nessa altura.

Segunda-feira, Maio 24, 2004

O Pirata!


Todas as segundas, é no Pirata Bar onde se consuma o mais alegre e devastador motim contra as tristezas e frustrações: “A Segunda-Feira Mais Louca do Mundo”.

Na Praia de Iracema, bairro antigo de Fortaleza, repleto de casarios, luzes, engarrafamento, gente bonita... 20 horas, vai começar a grande festa do Pirata.

A noite inicia-se ao som da sanfona, triângulo e zabumba, com o mais legítimo e tradicional forró pé-de-serra, xote, baião e arrastapé; um eterno São João.

À meia noite, a nau Pirata pega fogo, quando o forró elétrico da Banda do Pirata bota todo mundo pra pular numa grande e eclética fogueira de ritmos: forrobodó, xaxado, carimbó, axé, pagode, salsa etc.

Às 4 horas, no convés do navio, o Sopão da Madrugada é servido gratuitamente para recompor as forças e as energias dos sobreviventes.
No entanto a festa não terminou...
No palco, à beira-mar, o som vai do samba à Música Prapular Brasileira, até o sol raiar...

O Pirata mudou o calendário das marés, fazendo da segunda-feira o dia oficial do forró, símbolo da alegria e irreverência cearense.


O Pirata é tudo isto e muito mais - e não há palavras suficientes para descrever o calor, a música, os corpos suados, a dança, a atmosfera - mesmo a chover!!!

Para mais detalhes, visitem O Pirata!. Se acederem ao Flash Pirata, e escolherem o dia 17/05, poderão ver algumas fotos dessa noite, e de muitos dos meus colegas - felizmente eu não apareço: estava lá no meio da multidão a tentar acompanhar a coreografia da banda.

O mais engraçado disto tudo, é que o dono e criador deste bar é um Português que foi para o Brasil para tentar fazer fortuna com as lagostas, faliu, e depois teve esta brilhante idéia - hoje ninguém o pára!

Foi mesmo a Segunda Feira mais louca da minha vida! ... Ou então foi apenas o efeito das incontáveis caipirinhas dessa noite... E o facto de às 7:30 da manhã ter que estar de pé para a próxima aventura!

Mas essa fica para o próximo Post.

;-)

Domingo, Maio 23, 2004

Cheiro, Cor e Sensações


O cheiro da terra vermelha molhada, por entre a cor verde húmida das árvores e arbustos;

O cheiro do mar trazido pelo vento quente, por entre imensas dunas de areia de cor branca;

O cheiro do ar abafado, povoado por mosquitos e poeira, debaixo de um céu de cor azul pintado por núvens de cores cinzenta e branca.

A cor das estrelas do hemisfério sul, a via láctea que finalmente reconheci destacando-se do manto negro do universo, numa sensação de abismo e pequenez face ao infinito.

A cor da pele dos nativos, tisnada pelo sol e marcada pelo vento, numa sensação de fusão total com o ambiente em redor.

A cor da água, transparente nas grandes lagoas, quase castanha na beira do mar, numa sensação de frescura e calor em simultâneo.

A sensação do suor escorrendo pelo corpo a toda a hora, expulsando tudo o que havia acumulado de mal nos últimos anos.

A sensação de ver uma morena a dançar colada ao seu par num baile de forró, fazendo esquecer por completo a necessidade do acto sexual.

A sensação de paz, deitado na areia da praia, noite inteira, olhando a Lua, esperando o nascer do sol no oceano atlântico.

A sensação de desenhar o teu cheiro na cor da areia molhada da praia.

___________

Oi! Estou de volta!

Estes são os meus pedaços de mundo - os que gravei em mim próprio e não só em fotografia.

Mas, com a bagagem de sons, cheiros, visões, experiências que trago, este blog estará repleto de Posts acerca desta viagem nos próximos tempos.

Obrigado pelos comentários ao meu post anterior - já, já estarei entregando mais pedaços de mundo pessoalmente!

Beijos&aBraços

Sexta-feira, Maio 14, 2004

Até sempre!


Hoje vou para o Brasil.

Eu e mais cerca de 20 colegas da empresa - é o nosso prémio pelos resultados do ano passado.
Vai ser cansativo, mas muito divertido! E revigorante, espero.

Vamos ser motivados para mais um ano que se afigura difícil. Vamos criar relações mais próximas, extra local de trabalho. Vamos exprimir opiniões sobre outros assuntos que não os profissionais. Vamos expelir as toxinas acumuladas durante 12 meses de Stress. Participar nesse exercício de catártese que é beber até cair e falar sem medo do que possa sair!!! (LOL)

E depois faremos as malas e regressaremos.

Uma semana depois já estará tudo na mesma. Alguns já não se olharão de frente. Outros já clamarão que estão a precisar de férias. E tudo voltará à rotina do Business As Usual até para o ano (se puder ser...).

É por isso que vou levar a minha máquina fotográfica e encher a sua e a minha memória de fotos para o meu álbum pessoal.

Para poder olhar mais tarde e lembrar os bons momentos quando estiver mal.
Para mostrar aos amigos e enviar para a família quando estiver bem.

Sim, trarei pedaços de Mundo para todos!!!

Até sempre!


PS: quem me conhece, sabe que eu preferiria ir passar um mês no Tibete ou no Nepal, com os monges ou como eremita, para libertar a mente; ou ir para uma selva tropical húmida e ser raptado pelo último povo selvagem (de preferência só de mulheres!!) e perder-me para sempre da civilização. Mas é assim - até os destinos geográficos nos são condicionados... Talvez para ano??? Bjs ;-)

Traz-me Um Pedaço de Mundo


De ti
Que viajas como um louco
Por destinos formidáveis
Onde exóticas paisagens
E estranhos monumentos
Em ternuras ou tormentos
Transformados em imagens
Por processos insondáveis,
Peço-te apenas um pouco:

Traz-me um pedaço de Mundo!

Do Mundo
Que percorres sem temer
Onde vives dia-a-dia
Onde lutas frente-a-frente
Com os ogres mais horríveis
Com os magos mais temíveis
Nesse mundo cheio de gente
Que seus pecados espia,
Deixa-me apenas dizer:

Traz-me um pedaço de Mundo!

De mim
Que vivo no meu próprio mundo
Nesta virtual metrópole
Onde se sente com força
Onde se vive com o ardor
De corações cheios de amor,
Sem que o cérebro ouça
(Refugiado na acrópole)
Meu pedido mais profundo:

Traz-me um pedaço de Mundo!

Dou-te um pedaço de Mim...

PO 13/05/2004

PS: Inspirado pela MJM ;-)

Quarta-feira, Maio 12, 2004

Estou rouco.


Quase afónico, mesmo.
Não sei se foi de gritar tanto no último Post (LOL).

Agradeço os vossos comentários do fundo do coração - é bom ver que estão presentes e que participam nos maus e nos bons momentos que aqui descrevo.

Para quem chegou a recear que fosse fechar o Blog, estejam descansados, que isso não vai acontecer.

Este é o meu cantinho, o tal sítio só meu, o meu álbum privado de fotografias - fotografias da alma, que as do corpo deterioram-se com mais facilidade.
E neste canto todos são convidados a visitar-me - continuem.

Mas por hoje chega.

Não só estou rouco, mas sinto-me engripado.
Tenho que ir tratar disto já, antes que fique pior.

É que vou de viagem durante uma semana, e não posso ficar doente agora!
E por isso não se assustem se não virem Posts meus até dia 23.
Mas amanhã ainda terão notícias minhas.

aBraços e beijinhOs!

Segunda-feira, Maio 10, 2004

Momento de Glória


Chega de torturas mentais,
De processos infernais
De castigos da alma.

Basta de guerras e lutas,
Das mais inúteis disputas
Que me perturbam a calma.

Cessem os gritos de dor,
Os esgares de terror
Quem me ensurdecem a mente.

Acabem os sonhos escuros,
Derrubem-se todos os muros
Agora e para todo o sempre.

É chegada a hora:
Abro-me e deito fora
A putrefacta memória;

Enchendo o peito de ar,
Dentro de mim deixo entrar
O meu momento de glória.

E berra-me o coração,
Aberto de par em par:
"- Morde-te, Solidão!
Olha-me - estou a amar!"

PO 20/10/88

Sábado, Maio 08, 2004

Fotografia do Futuro


Estava aqui sentado, em frente ao écran do computador, com as mãos perto do teclado, a preparar-me para escrever, mas não saía nada.

Comecei lentamente a observar a área à minha volta.

A janela da rua de onde me chega a luz de um lindo dia de sol, e que me deixa perceber que está vento, pelo bailado das folhas das árvores.

Os meus livros favoritos e de consulta frequente: os poemas do Vinicius e da Florbela; a "Arte da Guerra" do Sun Tzu e os outros autores de Gestão, Marketing e I&T; e as minhas leituras mais recentes.

Os meus gadgets tecnológicos, como o palm-top, o MP3, a câmara digital, etc.

Os meus CDs do momento: Auf der Maur, Evanescence, Creed.
E os de sempre: Compay, U2, Leonard Cohen, Queen, R.E.M., Skunk Anansie, Sérgio Godinho, por aí fora...

Os CDs de informática, os manuais, os jogos, os DVDs, enfim, tudo o que é necessário para tirar partido do computador.

E depois cheguei à prateleira das "minhas" coisas: os poemas, os desenhos, os pensamentos, os contos, os diários, as fotos.

As fotos divididas em dois álbuns: Solteiro e Casado.

Comecei por folhear o primeiro, recordando a minha vida desde os primeiros anos até à véspera do casamento - só coisas boas: a família, os amigos, as namoradas, os animais de estimação, as brincadeiras, a escola, as férias, as ocasiões especiais, os primeiros trabalhos, o primeiro carro... Que saudades, que recordações...

Depois fui ver o segundo: estava vazio!
Ou melhor, aproveitei-o para guardar outras coisas, mas nunca mudei a etiqueta - estava cheio de outras coisas, coisas de trabalho, e não me lembrava disso.

Tenho, obviamente, um álbum e montanhas de fotos do dia do casamento.

Mas, e fotos do período de casado?
Onde estão elas?

Só temos fotos dos filhos: álbuns e álbuns dedicados a ele e ela, com tudo o que fizeram desde que nasceram até aos nosso dias! Numas apareço também, noutras apareces tu, mas onde estamos os dois?

Onde estão as nossas fotos de casados?
Onde estou eu contigo, apenas? Morremos? Ou apenas não estava lá ninguém para tirar a fotografia?

Onde estão as minhas fotos de casado?
O que me aconteceu nesse período?
Ou não vivi este tempo todo?

Contam-se pelos dedos das mãos as fotos onde estou sozinho ou onde estamos os dois - mas tenho a certeza que passámos bons momentos, que temos boas recordações para além dos nosso filhos, das férias, ou dos casamentos de amigos.

Onde está retratado o tempo que tivémos para cada um de nós como indivíduos?
E o tempo para nós dois, como namorados?

Talvez por isso o casamento tenha morrido?
Ou é isso a prova de que já estava morto há algum tempo?

Pega na máquina!

Temos que tirar mais fotografias!

Sem motivo!

Só os dois!

E ás vezes cada um, individualmente!

Ainda há esperança: Vamos fazer um álbum de casados!


...Até porque o meu álbum de solteiro não tem mais espaço ;-)


PS: há quase um ano que não usava Aliança - há uma semana que voltei a usar. Perdoem a pieguice...

Quinta-feira, Maio 06, 2004

Para quê chorar?

Pronto.
Já passou.
Não sei se foi da chuva ou não.
Se estava vazio ou semi-morto.
Se estou ausente ou presente.
Não interessa.
Há sempre outro dia.
Sempre!
Mesmo quando a nossa vida acaba.
O Sol volta a nascer para as outras vidas.

Para quê chorar?

Pra que chorar
Se o sol já vai raiar,
Se o dia vai amanhecer.
Pra que sofrer
Se a lua vai nascer,
É só o sol se pôr.
Pra que chorar se existe amor,
A questão é só de dar,
A questão é só de dor.
Quem não chorou,
Quem não se lastimou,
Não pode nunca mais dizer
Pra que chorar,
Pra que sofrer,
Se é sempre um novo amor
Cada novo amanhecer.


(Vinícius de Moraes/Baden Powell)

Quarta-feira, Maio 05, 2004

Chuva


Antes ficava triste quando chovia e o vento soprava com força.
Era um dia perdido, para mim.
Não tinha vontade de fazer nada.
Ficava melancólico.
Sentia-me só.

Se tinha que ir trabalhar ou estudar, era um sacrifício.
Se ficava em casa, o tempo esgotava-se sem que fizesse algo de proveitoso.
Às vezes ficava à janela a olhar lá para fora.
Era talvez a única coisa que me fazia sentir melhor.
Mas acabava por ficar deprimido.

Hoje está um dia desses.
Feio, chuvoso, ventoso e frio.
E no entanto lá fui para o trabalho de manhã.
E lá tive uma apresentação a clientes à tarde.
E aqui estou a escrever sobre o meu dia.

Ontem a esta hora ainda estava em Paris.
Chovia também.
Estava pior que aqui.
Mas não me senti pior por isso.

Aparentemente o clima passa-me ao lado.
Aparentemente não dou por ele.
Ignoro-o ou ele ignora-me a mim.

O Porto venceu ontem.
O Benfica está empatado com o Sporting.
O Carlos Cruz foi para casa.
Há 10 novos países na UE.
No Iraque continua a morrer-se.
Não me interessa.
As notícias não me dizem nada.
E eu não digo nada que seja notícia.

Estarei a ficar insensível ao mundo?
Será que nada cá fora me afecta?
Será que o real já não tem efeito em mim?

Pela primeira vez desde que comecei, até os blogs me pareceram fúteis.
Será que também o virtual já não me inspira?

Pareço um morto-vivo: o corpo aqui anda, mas a alma já não me habita.

Estou vazio...

...Ou é da chuva?

Domingo, Maio 02, 2004

Dia da Mãe


Quando eu nasci, ia matando a minha mãe.

Teve um parto complicadíssimo, sofrendo bastante durante esse dia e nos dias seguintes.

E também eu ia morrendo.

Fui tirado a ferros, a ventosa que então se usava queimou-me o couro cabeludo (fui operado um ano depois para remediar a situação) e estive vários dias na encubadora até poder ir para casa.

Eram outros tempos, não façamos disto uma drama.
Hoje falamos disto na família com alguma piada, como quando o meu avô foi à maternidade ver-me e não acreditava que eu era aquele, devido ao facto de paracer um bébé africano (LOL), tal era o meu estado.

Talvez por isso a minha ligação à minha mãe sempre foi muito próxima.

Principalmente da parte dela, que sempre me deu o máximo, me protegeu, me apoiou e me consolou em todos os momentos.
Ainda hoje o faz.

E eu retribuo à minha maneira, embora actualmente menos do que fazia antes - mas quando temos filhos os pais ficam para segundo plano (até um dia, em que tudo se inverte de novo).

Este fim-de-semana a minha mãe esteve cá em casa, e hoje fomos todos almoçar fora.

A esta hora já chegou à terrinha.

Fica bem, Mãe.

E obrigado por tudo.

Sexta-feira, Abril 30, 2004

ALQUIMIA


Antes eternamente
Louca, do
Que mais
Uma vez
Ignorada -
Marginalizada -
Ingenuamente
Afastada de ti!

Antes simplesmente
Livre, do
Que continuamente
Uivando o meu
Infeliz e
Mórbido
Imaginário
À Lua!

Até que os
Lobos
Queiram,
Unirei os
Irresistíveis
Materiais,
Inventando
A Filosofia.

Até que a
Lua me dê só
Quartos-minguantes,
Usarei as energias
Irradiantes para as
Metamorfoses
Inconsistentes da
ALQUIMIA.

PO 25-04-89

Este foi mais um poema inspirado por uma mulher. Metamorfoses, transformações, mudanças -ALQUIMIA!
Dedico-o a todas vós, mas hoje especialmente à Blue.
Bjs :-)

Quinta-feira, Abril 29, 2004

Ansiedade


Outrora
viajava pelos inóspitos
territórios do meu mundo
de neurónios cancerígenos
e buscava
algo que me distraía
e afastava da doença
que então me dominava
e consumia aos pedaços.

Hoje
tento o reencontro
com esse prazer efémero
que se me afigurava eterno,
mas os caminhos
são já negros e lodosos,
provocando uma podre
e lenta agonia
da esperança.

Um dia
visitarei de novo
o palácio perdido dos sonhos
onde antes bailei
com a mais pura donzela.

E então
cairei nos braço de Morfeu
e deixar-me-ei morrer
na doce e ingénua
perversidade
dos seus lamentos.

PO 26-5-89


(Mais um dia atarefado: um reunião que durou um dia inteiro; um fim de tarde extenuante.
Deixo-vos com mais um poema - este já foi publicado no Blog do VS28. Assim respondo a um pedido de alguns amigos, de republicar aqui o que já "emprestei" a outros blogs)
;-)

Quarta-feira, Abril 28, 2004

The Great Pretender


Yes I’m the great pretender
Pretending that I’m doing well
My need is such I pretend too much
I’m lonely but no one can tell

Yes I’m the great pretender
Adrift in a world of my own
I’ve played the game but to my real shame
You’ve left me to grieve all alone

Too real is this feeling of make-believe
Too real when I feel what my heart can’t conceal

Yes I’m the great pretender
Just laughin’ and gay like a clown
I seem to be what I’m not, you see
I’m wearing my heart like a crown
Pretending that you’re still around

Buck Ram - The Platters
(Nº 1 in 1956, mais tarde o Freddy Mercury deu-lhe outro vigor )

Como vêem, continuo atarefado - muito trabalho.
Mas mais uma vez consegui colocar algo que continua a bater certo comigo.
Consegui ler os comentários ao Post anterior, mas não consigo responder. O meu fornecedor deste serviço continua a falhar. Sei que alguns de vocês não conseguiram comentar, de novo. Não desistam - há alturas em que está a funcionar.
Obrigado a todos mais uma vez pelo incentivo, pela força e pelas doces palavras que me dirigiram.
Se isso vos interessa: tenho estado muito bem, nestes dias!

Terça-feira, Abril 27, 2004

Paixão


Dói-me a Paixão - essa ânsia, essa espera -
Tal qual uma tosca Primavera
Em que as plantas só dão o fruto - nunca a flor.

É que a Paixão - essa fragrância, essa quimera -
O meu coração louco desespera:
Porque morre e, do seu luto, não nasce o amor.

PO 26/10/89


PS: Eu sei que prometi colocar originais actuais, mas tenho tido uma semana super atribulada, e o cansaço tem-me dominado, não me sobrando força, engenho ou arte para escrever coisas novas. Além disso, como sempre, não importa quando foi escrito: este aplica-se ao que sinto nestes dias...

Segunda-feira, Abril 26, 2004

Cold Wind


Sometimes,
From the darkest corner of my mind,
The cold wind of winter past blows,
Removing the gray dust
That usually covers my memory.

My head then aches with painful sorrow
Wondering,
Wishing that maybe tomorrow
This cold wind fades into breeze
And those nightmares go away.

If only I could fly -
Take off – disappear
Without asking why,
To the ancient dream locked in my brain,
I would return to that sweet youth
Where my heart left a bloodstain.

But that cold wind never disappear
Not even when the day is clear
And the sun warms my gentle sleep -
And I become crazy and lunatic.

Come,
Cold Wind,
Bring on my ghosts
Of past, of future and present time.
Let them take control of me,
Let my heart in stone to be,
And let them steal this love of mine.

And then
Turn off the light –
Down your eternal night on me.
Don’t let me hear,
Don’t let me see.
But leave my lips -
An open sea –
To cry for love to set me free!

PO 10/04/2002

Alguém me perguntava o que faço aos meus demónios...
Nada.
Deixo que me visitem de tempos a tempos - é bom para nos mantermos em guarda.

Domingo, Abril 25, 2004

25 de Abril - 30 Anos depois


Do 25 de Abril de 74 lembro-me que não me deixaram ir à escola primária.
Lembro-me da minha mãe ir para a Baixa, juntar-se à multidão.
Lembro-me dos helicópteros que passavam bem junto à minha casa, em Belém.
Lembro-me dos gritos de "O Povo unido jamais será vencido!".
Lembro-me que nos dias seguintes, na cantina da escola, todos nós gritávamos: "O ovo cozido jamais será comido" (LOL).

E lembro-me da seguinte canção, que daí a alguns dias todos os putos cantavam.

Isto foi, para mim, a Revolução. O resto é, como dizem este ano, Evolução!


Gaivota - Somos livres

Ontem apenas
fomos a voz sufocada
dum povo a dizer não quero;
fomos os bobos-do-rei
mastigando desespero.

Ontem apenas
fomos o povo a chorar
na sarjeta dos que, à força,
ultrajaram e venderam
esta terra, hoje nossa.

Uma gaivota voava, voava,
assas de vento,
coração de mar.
Como ela, somos livres,
somos livres de voar.

Uma papoila crescia, crescia,
grito vermelho
num campo qualquer.
Como ela somos livres,
somos livres de crescer.

Uma criança dizia, dizia
"quando for grande
não vou combater".
Como ela, somos livres,
somos livres de dizer.

Somos um povo que cerra fileiras,
parte à conquista
do pão e da paz.
Somos livres, somos livres,
não voltaremos atrás.


Ermelinda Duarte

Acho que podemos dizer, 30 anos depois, que somos livres.

Livres para crescer, voar e dizer, como diz o poema.

Livres para viver e livres para amar.

Bom feriado!

Sábado, Abril 24, 2004

Fé!


Um tipo decidiu ir dar um passeio até ao cimo de um penhasco, numa enorme falésia à beira do oceano.

Distraído a contemplar a beleza do mar, escorregou e precipitou-se dali a baixo em direcção ao abismo.

Enquanto ia caindo, tentava agarrar-se desesperadamente a qualquer coisa, arranhando a face, os braços e mãos, até que conseguiu suster a queda graças à ponta da raíz de uma árvore que já havia perfurado o subsolo e despontava agora alguns metros mais abaixo, semi-seca.

O homem permaneceu ali, seguro com todas as suas forças, gritando a plenos pulmões:

"- Há aí alguém? Ajudem-me, por favor! Socorro!"

Mas não havia sinal de nenhum outro ser naquelas paragens.

Notando que estava a ficar com as mãos suadas, e com dores dos arranhões entretanto sofridos, desesperado, olhou para o céu e gritou:

"- Deus! Preciso de Ti! Ajuda-me a sair desta situação!"

Nesse mesmo instante, uma voz suave e reconfortante fez-se ouvir:

"- Meu filho, a tua fé salvou-te! Para chegares lá abaixo são e salvo, basta apenas que largues essa raíz, e te deixes cair, que eu acompanho-te na descida e não deixarei que nada te aconteça!"

O homem esperou um pouco e gritou:

"- Socorro! Não há aí mais ninguém que me possa ajudar???"


Steve Noble (a tradução é minha)


Esta história também foi retirada do livro que ando a ler há alguns dias (Naked Leader).
É uma anedota, mas fala muito a sério do que significa ter Fé.
Ter Fé é, sobretudo, acreditar - mas não só acreditar num deus ou numa série de leis ou dogmas: é acreditar em nós, e na confiança que temos - ou não - nas nossas convicções.
E ter Fé e ter Esperança são coisas diferentes: ter Esperança significa esperar que aquilo que desejamos pode acontecer algures no futuro; ter Fé significa que temos a certeza que isso vai acontecer!

No caso do homem da história, não tinha fé nenhuma (ou teria largado a raíz); mas tinha muita esperança, pois ainda achava que outro alguém poderia vir ajudá-lo.

Eu largava a porcaria da raíz!

E tu: tens Fé ou tens Esperança?

Tous Les Visages de L'Amour


She
May be the face I can't forget
A trace of pleasure or regret
May be my treasure or the price I have to pay
She may be the song that summer sings
May be the chill that autumn brings
May be a hundred different things
Within the measure of a day.


She
May be the beauty or the beast
May be the famine or the feast
May turn each day into a heaven or a hell
She may be the mirror of my dreams
A smile reflected in a stream
She may not be what she may seem
Inside her shell


She who always seems so happy in a crowd
Whose eyes can be so private and so proud
No one's allowed to see them when they cry
She may be the love that cannot hope to last
May come to me from shadows of the past
That I'll remember till the day I die


She
May be the reason I survive
The why and wherefore I'm alive
The one I'll care for through the rough and ready years
Me I'll take her laughter and her tears
And make them all my souvenirs
For where she goes I've got to be
The meaning of my life is

She


Elvis Costello


Sexta-feira, Abril 23, 2004

Obrigado


Queria agradecer os comentários de todos os amigos e amigas que leram o meu post de ontem.

Queria dizer que as vossas palavras são sempre mais lindas que as que eu aqui escrevo.

E que há uma diferença entre o que escrevem os que me visitam regularmente e que já mantém uma relação continuada comigo, e os que me visitam uma vez e nunca mais aparecem, ou não deixam um contacto, ficando quase anónimos.

Leio todos, mas peso a sua importância para mim de forma diferente.

E, no entanto, às vezes parece-me reconhecer quem está do outro lado...

Obrigado!


Quinta-feira, Abril 22, 2004

Check-Up Anual


Hoje fui ao médico.

É obrigatório na firma onde trabalho.
Todos os anos fazemos exames clínicos para avaliar o nosso estado de saúde.

Estou bem.

Tenho o peso ideal para a altura (1,78 m).
Os níveis de colesterol, triglicéridos e glóbulos brancos estão normais.
Logo, não preciso de dietas ou de ter cuidado excessivo com o que como.
Electrocardiograma sem nada a assinalar.
Pressão arterial normalíssima.
Radiografia que só confirma a escoliose - estacionária.
A miopia cá continua - nada de grave.
Tenho que ir tratar dos dentes.

"Você está muito bem para os 35 anos!" - disse.

"Tenho que fazer exercício" - digo.

"Pois, isso nunca é de mais" - responde.

"Até para o ano" - despeço-me.

A maior parte dos meus colegas têm que fazer mais exames ou dietas ou tomar algum tipo de medicamento (anti-stress, anti-depressivos, anti-colesterol, etc).

Eu estou óptimo.

Óptimo?

Então por que me sinto assim?



...Não há um Check-Up para o Amor?

Quarta-feira, Abril 21, 2004

Morte de Uma Margarida


É tua a imagem no espelho,
Reflexo inverso do mundo,
Memória do sonho velho
Que ainda me baila na alma.

São os teus lábios ardentes,
Tuas mão suaves e quentes,
Que me percorrem o corpo,
Que me perturbam a calma.

E o espelho devolve sempre
A mesma imagem que mente,
O mesmo reflexo eterno.

E surgem-me pensamentos,
Recordações de momentos,
E morro de frio no Inferno.


PO 17/01/89

As palavras são de minha autoria, mas o sentimento é de uma mulher: a minha mana. Bjs! ;-)

Terça-feira, Abril 20, 2004

Tão Longe de Lugar Nenhum


Há muitos anos li um livro da Ursula K. Leguin, que se chamava, em Português, "Tão Longe de Sítio Nenhum".

É a história de um amor adolescente, de um rapaz e de uma rapariga que, a princípio, não têm nada em comum, mas que acabam por se apaixonar.

Banal.

Mas na altura achei-o lindo!

Escrevi na primeira página: É talvez o mais belo livro que alguma vez li!

E, numa nota acrescentada cerca de 10 anos depois: Comentário de adolescente tardio!

Se nessa altura me envergonhei do exagero do primeiro comentário, hoje envergonho-me do desprezo do segundo.

Afinal qual dos dois sou eu?...

Talvez isto possa ajudar:


Nessa atitude de estar
Persistente
Longe da gente
E
Porém
Toda a gente
Amar

Vejo-te aqui
Frente a frente
Presente
Mas sempre
Ausente
Eternamente
A pensar

Longe, lá longe
A nascente
Sul norte
Ou poente
Mas sempre longe
Sempre
Tão longe de nenhum lugar

PO 20-03-89


Pois, eu continuo a ser este...
... Sempre longe de lugar nenhum...

Segunda-feira, Abril 19, 2004

SURDO


Sinto que me foge o amor.

Sinto transformar-se
Essa dor
Num sentimento vulgar.

Sinto que me foge o calor.

Sinto mudar-se
Em vapor
Essa vontade de amar.

E sinto um coração ôco.

Do muito
Já só um pouco
Me faz continuar feliz.

E o meu espírito
Assim louco
Grita-me!
Num vozeirão rouco...

...E eu não ouço o que ele diz.


Domingo, Abril 18, 2004

Como será amor em língua cibernética?


Hoje não tive electricidade em casa, de manhã.

Acordámos com a luz do dia; fizémos o pequeno almoço recorrendo a métodos mais arcaicos; saboreá-mo-lo sem interferências: sem TV, rádio, nem telefone (que também já depende da corrente eléctrica).

Li vários capítulos do meu livro de cabeceira e brinquei com o meu filho (e não foi a jogar playstation ou computador!).

Por volta do meio-dia a energia voltou.

Liguei o PC e comecei a visitar os vários blogs amigos.

E no blog da Maria (vão lá ver!) estava um poema do António Gedeão que fala acerca da memória que as gerações vindouras terão de nós.

Fala essencialmente de uma coisa: se acontecesse uma hecatombe nuclear - se a humanidade desaparecesse por completo - quem transmitiria a nossa história?; que fósseis deixaríamos?; que vestígios poderia a nova raça pesquisar para saber o que nós pensávamos e sentíamos? Como entenderiam o Amor?

E no fim deixa a seguinte questão: Como será amor em língua cibernética?

Num mundo escravo da energia, com cada vez mais informação arquivada em suportes digitais e magnéticos, quando ela faltar o que nos restará?

O A.G. tem razão para as suas dúvidas, mas esta nossa dependência de energia tem destas coisas: por vezes ela falta; por vezes há avarias; por vezes acidentes; por vezes simples manutenções.

Por vezes regressamos às origens - ler livros, ver fotos antigas, passear, falar, ouvir, namorar! - e nessas alturas os mais novos apercebem-se que a modernidade nada mais é que uma outra forma de fazer as mesmas coisas.
É importante passar estas coisas de pais para filhos, uma vez que a genética ainda não o consegue (talvez um dia - mas espero que não).

Quanto ao futuro, se outros seres (para além dos humanos extintos) quiserem saber o que pensávamos, sentíamos, fazíamos - terão a mesma dificuldade que nós sentimos hoje em relação aos dinossauros: sabemos como eram, como agiam, como viviam - mas saberemos alguma vez o que sentiam e como pensavam? (e o amor ?)

E não será isso um segredo que cada um de nós quer guardar?

O que queremos que se saiba deixamos escrito ou gravado num qualquer suporte - e do Amor e da Guerra a humanidade deixa mais vestígios do que de qualquer outra coisa!

O que não queremos, morre connosco - para sempre.

Nada de mal nisso.


PS: há um filme delicioso do Kubrick e do Spielberg (IA -inteligência Artificial), em que o último vestígio da mente de um ser humano está no cérebro de um robô (um menino), e os ETs conseguem usar essa memória e um fio de cabelo humano para permitir um último desejo desse último representante da humanidade: o viver mais um dia com a sua mãe adoptiva - a pessoa que mais amava no mundo.

Quem não gostaria de ter um último desejo destes antes de se apagar por completo?


:-)

Sábado, Abril 17, 2004

Hoje é Sábado


Mais logo talvez escreva algo.

Por agora, visitem o VS28 - ele também anda como eu: ou com falta de tempo ou com falta de inspiração...

Por isso juntámos esforços... Desculpem-nos a ambos.

Da minha parte prometo que a partir da próxima semana começo a publicar material original.

Bom Sábado!

Sexta-feira, Abril 16, 2004

Insónia?


Hoje acordei às 5:30 da manhã e não consegui dormir mais.

Dei voltas e voltas na cama, fui ver televisão, voltei a tentar dormir, mas não deu.

Estava ansioso sem motivo algum...

Levantei-me e fui para o trabalho - eram 8 horas quando cheguei!

Tive cerca de duas horas para organizar tudo o que tinha em atraso, planear o meu dia, e ainda deu para ver os blogs matinais.

E então o escritório encheu-se de gente e a azáfama iniciou-se.

Tive cinco(!) reuniões ao longo do dia; despachei assuntos urgentes sem qualquer pressão; entreguei relatórios antes do prazo limite; e li artigos que tinha em cima da secretária há dias.

Almocei (sentado!) com colegas durante uma hora completa!

Até lanchei!!!!

Às 19:00 deixei a empresa e embrenhei-me no escasso trânsito do último dia das férias da Páscoa.

Em menos de meia-hora estava em casa.

Deitei-me no sofá e acabei por adormecer, até ser hora de jantar.

Dou graças aos deuses pela insónia que tive hoje.

Foi um dos melhores dias deste ano.

E sinto-me muuuito bem.

A ansiedade passou! :-)

Quinta-feira, Abril 15, 2004

Até Amanhã!


Sinto-te.

Sinto-te não porque estejas aqui, mas sim porque aqui não estás.
É que, na ausência do teu ser, sinto a tua falta.
Porque não estás aqui!

É nessa presença implícita,
Na ausência permanente a que me habituaste,
Que eu vivo sempre.

É nesta perpétua ausência
Presente em cada dia que passa por mim
Que martirizo a minha mente.

Sinto-te.
Sinto a tua ausência.
Assim como sinto a tua presença.

E o coração não hesita um momento.
O bater prossegue, intenso,
E segue em frente sem pedir licença.

Sinto-te.
Por isso não estou só.
Estou triste até amanhã!


PO 8-07-89

Quarta-feira, Abril 14, 2004

Isto vai passar...


Juro que não é teimosia, depressão ou falta de inspiração.

Mas não tenho vontade - não me puxa para escrever ultimamente.

E não quero fazê-lo só por fazer.

Há muitos assuntos acerca dos quais falar, coisas já escritas por publicar, debates a efectuar, comentários e respostas por dar.

Mas, desculpem, apetece-me descansar.

Mas leio-vos todos os dias e comento sempre que possível.

Não vou embora.

Não vão embora.

Isto vai passar...

beijOs e aBraços!

Terça-feira, Abril 13, 2004

*


Encontra-se
Algures
(Não sei onde)
O segredo
Da minha felicidade.

Quero seguir
Pela estrada da vida
E encontrá-la
Desprevenida -
Mas encontrá-la
De verdade!

PO 18-01-89

Segunda-feira, Abril 12, 2004

Livres!


Hoje não tenho nada de profundo para dizer.
Mas não tenho que ter!

Não vou buscar um poema ao meu baú, nem vou colocar a letra de uma canção que me toque.
Não me apetece.
E não tem que me apetecer!

Não é falta de inspiração - ainda agora escrevi dois poemas - mas não os publico hoje.
Não quero.
E não tenho que querer!

Só para deixar bem claro que não há obrigação em publicar algo - faço-o quando quero e me
sinto à vontade - e bem - ao fazê-lo.
Mas não tenho que o fazer!

E não tem que ser LINDO, ou EXCELENTE, ou PERFEITO ou CULTO.
Pode ser uma merda.
Mas não tem que o ser!

Só para deixar bem claro que este mundo - como o outro - é de todos!
E não me sinto obrigado a comentar ou a responder a quem comenta.
Faço-o porque sou livre de o fazer!

E presumo que acontece o mesmo com toda a gente, por aqui:

Livres!

Domingo, Abril 11, 2004

Dispam-se!


Estou a ler um novo livro.

Estou numa fase de reencontro com a leitura, uma vez que em tempos já tive essa paixão, mas nunca li tanto como ultimamente.

Desta feita é um livro que tem muito a ver com a minha área profissional, mas acaba por se aplicar também à vida em geral, e a cada um de nós em particular.

Chama-se "The Naked Leader Experience" e é escrito por um autor que já tinha publicado um outro Best Seller ("The Naked Leader"), David Taylor.

O tema deste segundo livro é: "Imagine se simplesmente não pudesse falhar... Como viver a vida para a qual nascemos".

Gira tudo acerca do que gostaríamos de fazer, ser, ter e de como o conseguir, sem nenhum outro artifício que não seja a nossa própria força - o que temos dentro de nós - por muito que nos façam pensar que não tenhamos nada.
Acreditem - está tudo cá dentro, apenas precisamos de nos conhecer a nós próprios (eu sei que parece conversa daqueles tele-evangelistas, mas não é esse o estilo do livro).

Não sei qual é o título em português porque a edição que comprei é inglesa (pois, foi comprado no aeroporto, para ler enquanto transitava de país para país), e por isso não posso dar pormenores quanto à edição e onde o podem comprar, mas mais dia menos dia aparecerá por aí - tem cerca de 400 páginas, mas lê-se bem.

Enfim, tudo isto para comentar uma das partes do livro que mais me tocaram até agora e que fala de uma coisa muito simples: a que é que damos valor na nossa vida?
Mais concretamente, quem é importante para nós, nesta vida?

E assim, em determinada altura, cita um texto de um outro autor, Christopher Morley, que diz o seguinte (a tradução é minha):

"Se tivéssemos cinco minutos de aviso antes de falecermos de morte súbita, apenas cinco minutos para falar sobre o que tinha significado a vida para nós, todas as linhas telefónicas ficariam a abarrotar de chamadas para as pessoas que realmente tiveram importância na nossa vida, simplesmente para deixar bem claro que as havíamos amado, mesmo aquelas a quem nunca o havíamos dito."

"Então, porquê esperar que isso aconteça?"
- pergunta o autor - "Façamo-lo agora!"

E depois pensei: a quem telefonaria eu?

E então pensei na minha primeira namorada após a adolescência - amei-a!
Tinha que lhe telefonar a dizer que teve importância; que adorei cada momento que passámos juntos; que recordo com saudade a paixão louca que nos assolou a ambos; e que não importa como acabou - o que importa é que serviu de ponto de partida para tudo o resto.

Depois tinha que telefonar à minha mulher - amei-a!
Tinha que dizer-lhe que, independentemente dos desacatos, discussões, desencontros e afastamentos, passámos momentos lindos; ultrapassámos juntos obstáculos que ninguém deveria ser obrigado a passar; lutámos contra interesses que nenhum jovem deveria suportar; vivemos uma vida breve mas cheia de coisas boas - nunca foi uma vida chata!; e criámos os dois filhos mais belos do mundo; e fizémos amor da forma mais louca e apaixonada de todas; e que, se pudesse ser velho ao pé de alguém, ela seria a primeira a ser escolhida.

Ainda teria tempo para ligar a quem eu nunca declarei o meu amor, excepto em sonhos.
Tinha que deixar bem claro que já não sentia isso agora, mas que, em determinada altura da minha vida, quando estive em baixo, foi o pensar e sonhar com essa pessoa que me aguentou - e tinha que dizer-lhe isso.

Por último, teria que telefonar aos meus pais e aos meus filhos - amo-os!
Tinha que agradecer-lhes tudo o que fizeram por mim, e tudo o que me possibilitaram fazer por eles.

E, se ainda tivesse uns segundinhos, tinha que ligar à minha paixão do momento - independentemente do grau de intensidade - só para deixar bem claro que gostava dela! Porque não podia morrer sem estar a amar ninguém.

É um excelente exercício porque nos faz realizar quem teve ou tem ainda impacto na nossa vida!

Experimentem.

Dispam-se!

Sexta-feira, Abril 09, 2004

Como nos Blogs


Ontem, o taxista que me conduziu ao aeroporto de Orly, em Paris, era português. Nada de espantar, claro - todos sabemos que há muitos emigrantes portugueses em França.

Está há 35 anos em Paris, e para o ano vai reformar-se (aos 60) e voltar a Portugal.
E então a conversa foi só sobre como estavam por cá as coisas, como era a vida lá, etc.

Mas houve uma altura em que começou a falar do neto (de 7 anos - como o meu filho), que ficará em França depois de ele voltar; e das saudades que vai ter; e das coisas que faz com ele, do que lhe ensina, do que aprende com ele; e de como as crianças hoje em dia são diferentes.

E depois começou a falar da sua própria infância; e de como saía de casa de manhãzinha e só voltava já o sol não se via também me lembro disso, embora na grande cidade, nas férias); e de ir pra ao rio como os amigos; e de ir à "chinchada" (ir à fruta nos pomares dos outros); e das tareias monumentais que o pai lhe dava (e que ele já não deu nos filhos); e de como a sua mãe o defendia nessas alturas.

Enfim, foi uma longa conversa porque o trânsito estava caótico e demorámos quase uma hora até chegar ao meu destino.

No fim, dei-lhe uma boa gorjeta, apertei-lhe a mão e disse-lhe para continuar a ensinar e a brincar com o neto, pois ele irá recordar isso mais tarde com prazer; e que eu próprio ainda hoje recordava muitas coisas que o meu avô paterno me ensinou - coisas que não se aprendem na escola, com os amigos ou com os pais - e que só a paciência dos velhos nos permite que lhes tenhamos acesso.

Às vezes temos estas surpresas no mundo real: momentos de sincera conversa e partilha de experiências entre pessoas que não se conhecem...

Como nos Blogs. :-)

Boa Páscoa!

Segunda-feira, Abril 05, 2004

Eu não sou de ninguém...


Amigos e Amigas, vou viajar - em trabalho.

A menos que nos hotéis possa aceder à WEB, não vão ter notícias minhas antes da próxima 5ª de Paixão (que bonito nome...).
É só isso, não pensem que fechei o blog ;-)!


Vou aproveitar para pensar nas muitas coisas que me aconteceram desde há um mês a esta parte.
Das voltas e reviravoltas (amorosas e não só) que a minha vida sofreu nestes dias.
Do que fiz e do que não fiz, e do que ainda está por fazer (muito!).

Do que quero fazer com a minha vida.
Do que quero fazer com a vida de quem ainda está ligado a mim.

Do que quero fazer com todos os que me têm dado carinho e força neste mundo dos blogs, e a quem tento retribuir da melhor forma possível.

E como não quero ficar parado, deixo-vos um desafio:

A Florbela Espanca é a minha poetisa preferida.
Há um soneto que ela nunca terminou, e que acaba por ser um dos mais belos.
Ela suicidou-se por não ter ninguém que a amasse como ela amava, e este soneto dá-nos algumas pistas do que esse alguém deveria fazer se a quisesse conquistar - tivesse ela concluído o poema, e talvez tivesse sido salva.

O meu blog tem um tema: Spot Me! - "Descobre-me, Identifica-me, ..." não sei bem como traduzir, mas sei o que queria quando o criei - ser encontrado, ser salvo, ser querido por alguém.

Deixo-vos o poema que, de certa forma, reconheço como se eu próprio tivesse escrito.
No fundo, não é que não sejamos amados, mas sim o querermos ser amados de uma determinada forma, e por alguém muito especial.

E como é esse alguém? É só ler o poema!

E o desafio?

Completar o primeiro verso do soneto, como bem entenderem, com o que acham que ela desejaria, com o que acham que cada um de vocês gostaria.

É só isso.

(Não podem dizer que não é original. Espero ter muitos comentários com versos vossos no meu regresso! :-))

Beijos e Abraços.


(sem título)
.......................
.......................
.......................
.......................

Eu não sou de ninguém... Quem me quiser
Há-de ser luz do sol em tardes quentes,
Nos olhos de água clara há-de trazer
As fúlgidas pupilas das videntes!

Há-de ser seiva no botão repleto
Voz no murmúrio do pequeno insecto,
Vento que enfuna as velas sobre os mastros!...

Há-de ser Outro e Outro num momento!
Força viva, brutal, em movimento,
Astro arrastando catadupas de astros!


FLORBELA ESPANCA (Reliquiae)

Domingo, Abril 04, 2004

Mundo Louco


All around me are familiar faces
Worn out places, worn out faces
Bright and early for their daily races
Going nowhere, going nowhere
And their tears are filling up their glasses
No expression, no expression
Hide my head I want to drown my sorrow
No tomorrow, no tomorrow

And I find it kind of funny
I find it kind of sad
The dreams in which I'm dying
Are the best I've ever had
I find it hard to tell you
'Cos I find it hard to take
When people run in circles
It's a very, very
Mad World

Children waiting for the day they feel good
Happy Birthday, Happy Birthday
Made to feel the way that every child should
Sit and listen, sit and listen
Went to school and I was very nervous
No one knew me, no one knew me
Hello teacher tell me what's my lesson
Look right through me, look right through me

"Mad World" - Andrews, Michael and Gary Jules
(Orig. Tears for Fears)



E acho engraçado e triste ao mesmo tempo,
Que os sonhos em que estou a morrer
São os melhores que costumo ter - irónico, não?


Sábado, Abril 03, 2004

Sem Palavras...

__________________________________________________
________00000000000000_______0000000000000________ ______000000000000000000__000000000000000000______ ____000000000000000000000000000000_______00000____ ___0000000000000000000000000000000_________0000___ __0000000000000000000000000000000000________0000__ __0000000000000000000000000000000000000_____0000__ _0000000000000000000000000000000000000000___00000_ _00000000000000000000000000000000000000000_000000_ _000000000000000000000000000000000000000000000000_ _000000000000000000000000000000000000000000000000_ __0000000000000000000000000000000000000000000000__ ___00000000000000000000000000000000000000000000___ _____0000000000000000000000000000000000000000_____ _______000000000000000000000000000000000000_______ __________000000000000000000000000000000__________ _____________0000000000000000000000000____________ _______________00000000000000000000_______________ __________________000000000000000_________________ ____________________0000000000____________________ ______________________000000______________________ _______________________0000_______________________ ________________________00________________________ __________________________________________________

Sexta-feira, Abril 02, 2004

a lua Pá


No centro
Do vazio
Circundante,
Encontro-me
A mim próprio.

Cercado
Pela multidão
Fervilhante,
Perco-me
A mim mesmo.

À margem
De tudo
E do nada
Acho-te
A ti!

PO 13-9-88

Paulinha, há muitos anos, amei o teu nome ;-)

Quinta-feira, Abril 01, 2004

o fim?


Só me apetece escrever em verso.
Rimar, rimar sem fim.
Mesmo a prosa me sai ritmada, mimada, acarinhada pela pena do amor.
E, no entanto, não amo - sofro por não amar.
Por não me amar ninguém.

Enfim...

Em fim?

Vivo em Ti


Quando eu morrer
Quero ser o sol do entardecer
Quero tombar sobre os teus ombros
Te abraçar
E te aquecer.

Quando eu morrer
Quero ser o brilho do luar
Quero ver-te entre as sombras
Te descobrir
E te beijar.

Quando eu morrer
Quero ser as núvens do céu
Quero descer até ti
E dizer
"Continuo teu!".

Quando eu morrer
Ficarei vivo em ti.

PO 28-8-02

Dedicada a Sonni: metadedemim.blogs.sapo.pt

6 Sentidos


Devia ter-te tocado.
Devia ter sentido
A textura da tua pele macia
E agora conseguir imaginar
Os meus dedos
Acariciando a tua face.

Devia ter-te cheirado.
Devia ter assimilado
O teu doce perfume
E agora conseguir recordar
A fresca fragrância
Do teu corpo.

Devia ter-te beijado.
Devia ter provado
O sabor dos teus lábios
E agora conseguir sonhar
Com o exótico paladar
Da tua boca.

Devia ter-te escutado
Devia ter gravado
O teu falar melodioso
E agora conseguir sentir
A suave vibração
Da tua voz.

Mas só vi a tua face
E li os teus lamentos.
A tua imagem e escrita
Registadas estão na minha mente.
Mas com o tempo irão
Desaparecer lentamente.

Devia ter-te amado
E agora acordar
Por uma qualquer magia
Sempre a teu lado.

Devia ter-te amado
Para não mais te esquecer.

PO 31-3-2004

(Para TI)

Quarta-feira, Março 31, 2004

Noite Chuvosa de Amor


A noite vai longa
E um beijo mais
É tudo o que resta
De uma noite de amor.

A lua vai alta
E um terno toque
Queima-me a pele
Com um suave ardor.

O sol vai nascer
E o dia chegar
E a noite, ao morrer,
Começa chorar.

PO 25-1-97

Constatação:


Este blog é a coisa mais secreta da minha vida!
Ninguém sabe que o escrevo. Ninguém sabe quem eu sou!
É o meu segredo pessoal.
A única coisa completamente só minha!

E, porém, quem me visita sabe mais coisas de mim do que muita gente à minha volta!

Irónico, não é?

Quando comecei isto, não foi com um propósito.
Comecei por visitar alguns blogs e comecei a passar algum tempo num ou noutro.

Então alguém me incentivou a ter um blog!
Agradeço-lhe do fundo do coração, e ainda hoje tenho o prazer da sua visita diária (e não só).

E foi então que tudo se alterou: o que era um hobby passou a ser um escape, uma fuga, um meio de comunicar com pessoas como eu - ansiosas por falar a sério de coisas a sério!

E tão sério, em alguns casos, que a paixão voltou a visitar-me (para logo me deixar, é certo), e o meu coração voltou a bater.

Não quero mais do que isso, mas mentiria se não sonhasse ir mais além.

Há aqui muita gente linda!

Se o são por fora já não é tão importante.
Mas se reflectirem nem que seja um pedacinho do seu brilho interior, são, de certeza, seres extraordinariamente belos!

E agradeço aos Deuses conhecê-los!

Obrigado.

Choro


Amorzinho,

Coração quente e molinho
Que trago no peito a bater
Ouve com todo o carinho
O que tenho para dizer:

Há dias de namorados
E noites de não-acordados
E nas tardes desses dias
Meus segredos estão guardados.

Há dores de parto -
Instantes -
Onde gritos lancinantes
seriam a solução.

Mas a alegria do amor
Está em sobrepôr à dor
O bater
Do coração

Amorzinho,
Não chora, não?

PO 6-3-90

Terça-feira, Março 30, 2004

Os Homens não choram!


Desde pequenino que ouvi isto.

E nem sequer era o meu pai a dizê-lo: eram os avós, as tias, a mãe, os vizinhos, a professora, toda a gente.

Os homens não choram!

E os homens crescidos nem uma lágrima se atrevam a verter!

Um homem de barba rija e pêlo no peito a chorar? É "boiola" já se vê!

Um homem pode, esporadicamente, num funeral de alguém muito próximo, deixar escapar uma lágrima, uma fungadela, mas não pode chorar "baba e ranho"! ... A não ser que o seu clube seja eliminado de uma competição importante!

Pois é, em eventos extraordinários ainda se pode permitir que um homem chore.

Mas não por mariquices: por amor? por estar sozinho? por ver um filme?

Nem pensar!

Os homens não choram.

Esta é a regra.

Pois e esta é a excepção:

Na última 6ª Feira eu chorei...

Sozinho, no meu carro, a caminho do emprego, chorei que nem um puto!

E esta?

Chorei porque me lembrei. Porque me lembrei do que já tinha esquecido há algum tempo.

Tive saudades!

Pois, o eterno fado do português - ter saudades!

"Mas isso não faz um homem chorar...", dizem-me.

...E ter saudades do que nunca se teve?

Acreditem-me, é de deitar um homem abaixo!

Na última 6ª Feira eu chorei.

De manhãzinha, no meio do trânsito, com a música do Seal em altos berros, eu chorei.

E estou a confessá-lo publicamente a todos os que me visitam: eu quebrei a regra!

E mais: enquanto escrevo, choro de novo!

"Escândalo! Ele está louco!", dizem.

Mas não se preocupem.

Naquele dia, quando cheguei ao escritório parecia um herói!

Sorridente, confiante, espalhando "Bons Dias!" por toda a gente!

E lá fui eu, um dos chefes, exemplo de vida para quem ali trabalha, sentar-se à sua secretária, ligar o computador e mergulhar na sua vida de Homem Crescido.

Um Homem não chora! Aguenta e segue em frente!

Até amanhã...

Segunda-feira, Março 29, 2004

É preciso acreditar!!!


Amigos e amigas, nesta semana e na próxima o trabalho vai ser muito.
Estarei até fora do país durante 3 dias (para a semana).
Mas sempre que conseguir, publicarei algum artigo, nem que seja como o de hoje.


É Preciso acreditar!

Sempre!

Mesmo no meio da mais forte das tempestades, é possível ver, nem que por breves instantes, o arco-Íris!

Acreditem!

Nada de pessimismos, ou terão que se haver comigo!

:-)

Domingo, Março 28, 2004

É melhor não viver do que não amar


"Ainda que eu fale as línguas dos homes e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa, ou como o címbalo que retine. Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência; ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto de transportar montanhas, se não tiver amor, nada serei. (...)"

"(...)Agora, pois, permanecem a Fé, a Esperança e o Amor. Estes três. Porém, o maior deles é o Amor."


Carta de Paulo ao Coríntios (Novo testamento)

Pois é, estou a ler um novo livro (não, não é a bíblia - isto é apenas um excerto dela que é comentado nesse livro). Chama-se o Dom Supremo, de Henry Drummond, foi escrito no fim do Séc. XIX (a tradução e introdução é do Paulo Coelho, 1994) e, embora não seja um livro religioso, usa a Carta de Paulo aos Coríntios, como base para a sua dissertação.

E só fala do Amor, da interpretação que fazemos dele, e da sua prática.

Só.

O Amor é Divino!


Then the rainstorm came over me
And I felt my spirit break
I had lost all of my belief you see
And realize my mistake
But time through a prayer to me
And all around me became still

I need love, love's divine
Please forgive me now I see that I've been blind
Give me love, loves is what I need to help me know my name

Through the rainstorm came sanctuary
And I felt my spirit fly
I had found all of my reality
I realize what it takes

'Cause I need love, love's divine
Please forgive me now I see that I've been blind
Give me love, loves is what I need to help me know my name

Oh I don't bet [don't bet], don't pray [don't pray]
Show me how to live and promise me you won't forsake
'Cause love can help me know my name

Well I try to say there's nothing wrong
But inside I felt me lying all alone
But the message here was plain to see
Believe in me…

'Cause I need love, love's divine
Please forgive me now I see that I've been blind
Give me love, love is what I need to help me know my name

Oh I, don't bet [don't bet], don't break [don't break]
Show me how to live and promise me you won't forsake
'Cause love can help me know my name

Love can help me know my name.

Seal , Love's Divine

Sábado, Março 27, 2004

O Sonho comanda a Vida?


Já acabei de ler o "Tormento dos Céus" da Ursula K. Le Guin.

É "giro" mas não é "muuuuito giro".

Como foi escrito nos anos 70 (apesar de ser um livro de ficção científica que conta algo passado no futuro), acaba por estar embuido daquele espírito da altura, do amor livre, da paz, da luta de direitos, etc. Mas não perde por isso, apenas fica limitado face ao que sabemos que entretanto aconteceu.

De resto, a história toda gira à volta de um homem que não pode dormir pois, se o fizer e sonhar, os seus sonhos alteram a realidade. São os chamados "sonhos eficazes".

Ao procurar ajuda junto de um cientista, este, ao aperceber-se daquele "poder", passa a utilizar o que chama de terapia para orientar os sonhos do doente para que alterem a realidade segundo a sua vontade.

Assim, depressa acaba com o racismo, guerra, doenças, fome, etc, mas transforma o mundo numa coisa limitada, controlada, sem surpresas.

Só que os sonhos acabam sempre por ter resultados não esperados pelo cientista, porque a mente do doente, embora obedecendo à ordem inicial, acrescenta coisas a seu gosto, como extra-terrestres, vulcões, etc. Inclusive, a paixão por uma mulher.

No fim, o homem que sonha, acaba por descobrir o que se passa e tenta revoltar-se.

Obviamente não vou contar o fim, perdia a graça para quem quiser ler o livro - e a editora processar-me-ia pelos livros que deixaria de vender... :-)

Mas fica este pensamento: e se pudéssemos mudar o mundo segundo a nossa vontade? Não estaríamos a condicionar a liberdade dos outros?

Menino Grande


Deixa que o meu toque te aqueça
O corpo frio, só e abandonado,
Para que a tua pele não mais esqueça
O meu sentir, o meu calor apaixonado.

Deixa que o meu beijo te ofereça
A tua vida, entretanto adormecida,
Para que em tua alma nova cresça
O amor, a paixão então perdida.

E deixa que te chame "doce menino",
Que te afague esse teu cabelo fino
De criança em que nenhum adulto mande;

Pois é nisso que sempre te transformas,
Nestas noites calmas, ternas, mornas,
Meu doce e pequeno "menino grande".

(para P.)
de Doce Adriana 7-03-2004

Sexta-feira, Março 26, 2004

Estou vivo!


...Mas cansado da noite, por isso este blog hoje está fechado para descanso.

Se me quiserem ler, têm que visitar o meu GRANDE amigo vs28.

Ele consegue que as palavras tenham outra força, graças à sua composição gráfica. Espero que gostem.

Nós gostámos :-)

Quinta-feira, Março 25, 2004

I hope you had the time of your life ;-)


Another turning point, a fork stuck in the road.
Time grabs you by the wrist, directs you where to go.
So make the best of this test, and don't ask why.
It's not a question, but a lesson learned in time.

It's something unpredictable, but in the end is right.
I hope you had the time of your life.

So take the photographs, and still frames in your mind.
Hang it on a shelf in good health and good time.
Tattoos of memories and dead skin on trial.
For what it's worth, it was worth all the while.
It's something unpredictable, but in the end is right.
I hope you had the time of your life.

"Good Riddance (Time of Your Life)"
Green Day, album "Nimrod"


PS: Hoje vou sair - se não escrever nada amanhã, vão à minha procura! Já sabem que ando perdido... ;-)

Quarta-feira, Março 24, 2004

"...humanum est"


O ignóbil pedaço humano
Corrompido
Pelas parvas dúvidas fatídicas,
Pensa sempre
Que o coração nunca tem razão,
Permanecendo assim,
Eternamente,
À beira do abismo da felicidade,
Sem nunca cair.

A lodosa mente humana
Caprichosa,
Sinónimo de inconstância
E fluidez,
Raramente,
Ou nunca, alcança
A inteligência,
Conseguindo sempre
Alcançar a estupidez.

E os pobres
E autómatos humanos,
Sem nunca perceber
O que é a vida,
Vão marchando
Passo a passo
Para a morte,
Deixando para trás,
À sua sorte,
O amor,
Ou a paz
Nunca atingida.


PO 25-10-99

Good NEWS!

Someone said that, in order to find yourself, you should first loose yourself.

Well, I have very good news:

I'm completely lost!

Lembrança

No meio da tempestade em que me vi envolvido já fora de horas, ainda tive tempo para lembrar a doce maré. A lembrança ficou no Top Me no lado esquerdo do blog.

Terça-feira, Março 23, 2004

...É o Medo da Dor.


Tira-me o medo da dor.
Afasta de mim o temor
De amar e ser amado.

Liberta-me desse terror
E deixa-me viver o amor
Que sinto aqui a teu lado.

Tira-me o medo da vida.
Cura-me essa ferida
E deixa que viva em paz.

Apaga-me a mente perdida
E mostra-me a tão proíbida
Felicidade que aí jaz.

Tira-me o medo de amar.

Tira-me o medo da dor.

E deixa que,
ao te beijar,
Sinta em mim
O teu amor.

Tira-me o medo!

PO 29-6-89

Segunda-feira, Março 22, 2004

Pela Luz dos Olhos Teus.


Quando a luz dos olhos meus
E a luz dos olhos teus
Resolvem se encontrar,
Ai que bom que isso é meu Deus,
Que frio que me dá o encontro desse olhar.

Mas se a luz dos olhos teus
Resiste aos olhos meus só pra me provocar,
Meu amor, juro por Deus me sinto incendiar.

Meu amor, juro por Deus,
Que a luz dos olhos meus já não pode esperar,
Quero a luz dos olhos meus
Na luz dos olhos teus sem mais lará-lará.

Pela luz dos olhos teus
Eu acho, meu amor, que só se pode achar
Que a luz dos olhos meus precisa se casar.

(Vinícius de Moraes)

Como é que vês o amor?


Como é que vejo o Amor?

Como é que sei que é ele e não outra coisa a importunar o coração?

Como é que se algo que não é palpável, mensurável ou quantificável?

Como se adivinha?

Como se toca, se ouve, se cheira, se saboreia, se sente o Amor?

É simples: com os dedos, com os ouvidos, com o nariz, com a boca, com o corpo.

Como é que vejo o Amor?

Com os olhos!

Através das tuas palavras escritas que leio com avidez.

Como queria ver o Amor?

Com os teus olhos, reflectindo os meus...



E vocês, como é que vêem o Amor?

Domingo, Março 21, 2004

Eternidade


Eternamente
Sob a mira
De uma deusa irada
Por não querer
Da vida
Mais nada
A não ser
Viver.

Eternamente
Alvo
Das flechas de amor
Por incapacidade
De fazer
Seja o que for
Para além
De sentir.

Eternamente

Perante tal perigo
Por não ter
Na Terra
Qualquer amigo
Exceptuando

...Tu.


PO 3-4-1988

Dia Disto, Dia Daquilo


Hoje em dia temos que estar com atenção porque há dias dedicados às mais variadas coisas.

No dia de hoje, ainda por cima, comemoram-se duas coisas importantes (pelo menos para mim): a poesia e a àrvore.

Dia da àrvore
Como fui logo escolher um blog sem imagens, não vos posso aqui deixar a foto de nenhuma árvore,
mas fiquem sabendo que gosto de todas, embora tenha algumas preferidas.

Sempre gostei de pensar que seria uma árvore noutra vida, para assistir ao desenrolar de uma série de eventos e permancer ali, segura ao chão, dando sombra e frutos, ver a minha casca rasgada por rabiscos de amor de namorados, e os meus ramos marcados pelas cordas de um baloiço de crianças.

Mas suponho que hoje em dia já não é tão seguro que árvore tenha uma vida longa e descansada... E daí termos que lhe dedicar um dia do calendário para nos lembrarmos disso.

Dia da Poesia

Então fui logo enfrascar-me no dia da poesia? É preciso ter azar! Vou ter que esperar mais um ano até que me reconheçam como poeta a nível nacional...

Agora a sério, para mim qualquer dia é de poesia.

Desde muito novo que escrevo (e até publiquei dois poemas numa antologia!!! - obviamente não vou dizer qual, para manter o anonimato, mas também não perdem nada - era apenas um puto imberbe que ainda não sabia nada da vida... Será que hoje sei?).

Mas a verdade é que a poesia tem tido um papel activo na minha vida, quer por me possibilitar ajudar quem está em baixo, expressar sentimentos que de outra forma me encheriam de tristeza, ou - principalmnete - sempre que estou apaixonado.

Enfim, não devendo muito à beleza, as minhas conquistas amorosas foram sempre efectuadas através da palavra - quer falada, quer escrita.

É tão verdade que a mulher com quem casei se aproximou de mim porque primeiro leu os poemas que ofereci à minha mana e depois apaixonou-se!!! (Eu devia ter desconfiado que isso não era um bom sinal :-)).

Guardo todos os meus poemas, mas raramente os dou a conhecer para além do meu círculo restrito de amigos.

Começo agora a ultrapassar esta barreira no blog.
Espero que sejam suportáveis para quem os lê.

Desejos de uma boa Primavera para todos!

Ontem à Noite


Ontem à noite fui sair.

Depois de jantar era suposto ir ao cinema ver a Paixão de Cristo, do Mel Gibson, mas já não apanhei bilhetes para as 21.30 e à meia-noite já não consigo ver cinema.

Assim, acabei por ficar pela FNAC do Colombo.
Bebi um café, ouvi música, li umas passagens de uma série de livros, fui espreitar as BDs, DVDs, e a área de HI-FI e Tecnologia.

Comprei a publicação mais recente (em Portugal) da Ursula K. Le Guin, uma autora que gosto muito desde miúdo, quando comprava a colecção de FC dos Livros de Bolso da EA.
O livro chama-se "O Tormento dos Céus" e aborda o tema "E se, quando acordamos, descobríssemos que os nossos sonhos se tinham tornado reais?" - interessante, não? (já tive pesadelos que se tornaram reais, mas sonhos ainda estou à espera). :-)

Comprei dois CDs, também: uma colectânea com as músicas de Jazz e Swing da filmografia do Woody Allen (outro velho favorito), e o original da Melissa Auf der Maur (pois é, tenho gostos muito variados no que respeita a música - não interessa se é rock, jazz, clássica, etc, portuguesa ou não - desde que me "caia no goto", ouço).

Depois, recebi uma chamada de colegas que já há duas semanas me andam a tentar desviar do meu "retiro espitual" e lá fui - no estado em que estou, tive mesmo que ceder, ou ainda me encontravam enforcado aí num sítio qualquer (LOL).

Começámos no BBC, passámos para o Blues e acabámos no Docks (acho eu), já de manhãzinha.
No fim ainda deu tempo para comer uma bifana à beira-mar, a ver o nascer do Sol (não foi romãntico, mas foi bonito).

E pronto, lá voltei a casa, a tresandar a fumo (sem fumar!), com a língua transformada em cortiça, e uma ligeira acidez no estômago (vá lá, nada mau para quem não ingeria álcool há quase um mês).

Os meus colegas (eles e elas) são óptimos nesta área - quando é para distraír não há pai para eles.

Mas para algo mais profundo, fica sempre algo a faltar.
Talvez seja por isso que cheguei aqui ao mundo dos blogs.

Vou dormir mais um pedaço.

Até mais logo. :-)

Sábado, Março 20, 2004

Memórias...


She's got a smile that it seems to me
Reminds me of childhood memories
Where everything
Was as fresh as the bright blue sky
Now and then when I see her face
She takes me away to that special place
And if I stared too long
I'd probably break down and cry

Sweet child o' mine
Sweet love of mine

She's got eyes of the bluest skies
As if they thought of rain
I hate to look into those eyes
And see an ounce of pain
Her hair reminds me of a warm safe place
Where as a child I'd hide
And pray for the thunder
And the rain
To quietly pass me by

Sweet child o' mine
Sweet love of mine

(...)

Sweet Child O'Mine (Guns&Roses)

Há uma pessoa no mundo que me faz sentir assim:
Se está feliz, pode estar o mundo a desabar que eu nem noto - só por estar com ela, fico completo.
Se eu adivinhar que está triste, largo tudo e faço os impossíveis para a confortar.
Mas só a contacto quando estou bem - quando lhe escrevo é para falar de coisas boas - e zanga-se comigo quando sabe que algo me aconteceu de menos feliz e eu não lhe disse nada.

Há uma pessoa no mundo que me faz sentir assim...
...Só que não é neste mundo.

Sexta-feira, Março 19, 2004

Dia de um Filho


Ontem, após as tais reuniões de avaliação anuais, combinei com os meus colegas ir almoçar no dia seguinte a casa dos meus pais, na sua quinta perto de Tomar. Assim podíamos estar juntos fora do ambiente de trabalho, e fazer aquilo que os gestores gostam de designar por "criar laços". Nem me lembrei que ia ser dia do pai, mas fiquei contente quando essa coincidência ocorreu.

Hoje estive com o meu pai.
Está velho.
Mas não é tanto fisicamente: ligou-me várias vezes durante a viagem a saber se já estava perto. Durante o almoço falou de coisas que já havia falado antes. Repetiu-se, equivocou-se, zangou-se com a minha mãe, cansou-se.

Mas estive com o meu pai.
Gosto mais dele agora do que no passado.
Em miudo não me apoiou muito: não me deu orientação, conselhos ou ajudas concretas. Estava ocupado demais com as suas coisas.
Hoje está, de certa forma, perdido. E eu preciso de dar-lhe essas coisas que não recebi.
Irónico?
Talvez.
Mas, ao precisar de mim, dá-me a atenção que eu próprio necessito.

"Gosto de ti do fundo do coração" , Pai.

Dia de um Pai

Esta noite fui jantar com a minha família.

O meu filho de 7 anos deu-me uma folha de papel com a seguinte mensagem:

"Querido Pai,
Eu adoro-te muito porque tu vais comigo à Torre de Belém.
E porque nos Fins-de-Semana vais comigo onde eu quero.
Como eu gosto de ti vou-te dar este papel.
Gosto de ti do fundo do coração.
Com muitos beijinhos do teu querido filho (...)"


Por muitas peripécias que esteja passando nesta altura, este "papel" conforta-me: há uma parte da vida que ainda estou a saber gerir.


A minha filha (de 13) não me deu nada, mas pediu desculpa.

"Não preciso de desculpar nada" - disse-lhe - "Não há aqui qualquer obrigação. Amanhã dás-me um dos teus desenhos."

Como escrevi num dos posts aqui há tempos, nunca me vou zangar com a minha filha por motivos pessoais (zangar-me-ei se ela estiver em perigo, porém).

A sua prova de amor já foi dada - a minha tenho que continuar a prová-la dia-a-dia.

Coisas de Gajos!

Os meus colegas de trabalho arranjaram uma forma de nos multar-mos mutuamente sempre que olhamos com alguma intensidade para uma mulher (pronto: uma gaja!).

Assim, se olharmos e desviarmos logo a cara (ou porque não interessa mesmo ou porque afinal era um homem), não se paga nada.

Se olharmos e a seguirmos durante alguns segundos com os olhar, pagamos 5 euros.

Se olharmos e ficarmos embasbacados a ponto de interromper o que estávamos a dizer ou pura e simplemsmente deixarmos de ouvir o que o nosso interlocutor estava a acontar, lá vão 10 euros.

Se olharmos e chamarmos a atenção dos outros e todos eles olharem, toda a gente contribui com algum para o jantar do fim do ano...

Se forem elas a olhar para nós, segundo o grau de intensidade, ficamos com créditos!

Machismo?
Não!

Coisas de gajos!

(Obrigado às gajas pela inspiração!)

Quinta-feira, Março 18, 2004

Voar!

"Inspiração...como é que uma mera palavra nos pode fazer tanta falta?!!Uma vez disseram-me que quando nos sentimos vazios, sem inspiração que não devemos ficar tristes, pois isso só nos torna mais leves para podermos voar mais alto..."

Houve um tempo,
Há algum tempo atrás,
Em que o vento -
Era eu um rapaz -
Me empurrava
E fazia voar.

Hoje, a calmaria -
Agora adulto eu -
A ausência de ventania,
Afastando-me do céu,
Deixa-me triste
E faz-me sonhar.

Queria tanto voar...

PO 21-01-89

(Obrigado Saraxata)

Quarta-feira, Março 17, 2004

(...)


Estou sentado há cerca de meia-hora a tentar escrever qualquer coisa.
Não sai nada.
Já narrei o meu dia de trabalho e apaguei tudo de seguida - não interessa a ninguém.
Nem sequer vi o fim do Benfica-Belenenses - já não dá pica.
Fui deitar o meu puto e voltei - nada!
Amanhã tenho reunião de avaliação do meu pessoal e devia estar a preparar as coisas - qual quê...
Nem sequer um copy/paste de um poema antigo vou fazer - ou 'tou inspirado ou não, mas publicar só para ter cá qualquer coisa nunca!
Já visitei os meus blogs de estimação, mas pareceu-me tudo um bocado morto - será do jogo?
Vou para a cama.
Até amanhã!

...Porque não me escreves?

Estou cansado de esperar...
(...)

Nostalgia


I miss landscapes that I never saw.
Regret actions that I never took.
I ache for feelings that I never felt.
And cry for lovers that I never had.

I dream of lives that I never lived.
Feel sorry for things that I never made.
I think of people that I never met.
And laugh of jokes that I never heard.

Maybe I’m dead without ever been alive…


PO February, 13th, 2004

Terça-feira, Março 16, 2004

Lágrima


Rola na face
Uma gota
Salgada
E triste - sem cor.

Rola na face
Um lágrima
Gelada
De tanta dor.

Rola-me a gota
Na alma
E a calma
Apaga o horror.

Rola-me a gota
Na mente
Que sente
Esse teu calor.

Rola uma gota
Perdida
Mas ganha
Em meu favor.

Rola uma lágrima
Sentida
Que mostra
O teu amor.

Rola-me a gota
Nos lábios
E sinto
Um suave ardor.

Rola-me a gota
Nos olhos
Dizendo
"Sê meu senhor!".

Rola na face
Uma lágrima
Salgada
...Mas doce de amor.

PO 7-2-89

Segunda-feira, Março 15, 2004

Longe dos Olhos, Perto do Coração?

Vou te contar,
Os olhos já não podem ver,
Coisas que só o coração pode entender,
Fundamental é mesmo o amor,
É impossível ser feliz sozinho.

O resto é mar,
É tudo que eu não sei contar,
São coisas lindas que eu tenho pra te dar,
Fundamental é mesmo o amor,
É impossível ser feliz sozinho.
(...)

Vou te Contar (Excerto)
(Tom Jobim).

Domingo, Março 14, 2004

Só por causa do amor...

(...)
Ah! Como estou tão sozinho.
Ah! Como tudo é tão triste.
Ah! A beleza que existe,
A beleza que não é só minha
E também passa sozinha.

Ah! Se ela soubesse que quando ela passa
O mundo interinho se enche de graça
E fica mais lindo por causa do amor.

Só por causa do amor...

Garota de Ipanema (excerto).
(Vinícius de Moraes /Tom Jobim)

Domingo


Hoje dormi até muito tarde.
Mas acho que dormir acaba por ser a melhor coisa a fazer para quem não tem motivos para acordar.

Estou a exagerar, claro.
Há sempre um motivo, nem que seja para motivar terceiros.

Está um belo Domingo.
Depois do almoço devo ir passear com filhos.
Já sei que a minha filha vai dizer que prefere ficar em casa a ouvir música ou a navegar na Net, e que vou passar parte do tempo a arranjar argumentos para ela ir.
Mas o puto vai adorar, e perguntar se pode levar a bola e a bicicleta - e se lanchamos no caminho...; e lá vou eu responder que só vamos dar uma voltinha, e depois lanchamos em casa.

E é aqui que começo a ficar com dúvidas se devo mesmo ir.
É aqui que tenho que decidir se vou agir como Pai ou como ser humano em pré-depressão.
Se quem tem mais peso sou eu e o que se passa bem dentro de mim, ou se são eles e o que é melhor para o seu bem-estar.

No fim tem ganho sempre o primeiro (o Pai), o que acaba por ajudar o segundo (o deprimido) - acabo sempre por esquecer as parvoíces da vida, para viver as coisas boas da mesma.

No fundo, devia ser sempre assim:
A realidade que se passa fora de nós devia prevalecer sempre sobre a realidade que vai dentro da nossa cabeça.
(não sei se fui claro nesta frase - mais tarde explicarei melhor)

Mas as decisões do coração deveriam prevalecer sempre sobre as outras duas.

E é o coração que me diz: entre ti e os teus filhos, escolhe os teus filhos - alguém cuidará de ti mais tarde.

Sábado, Março 13, 2004

Hoje

Parecia que tinha aguentado.
Que tinha sido forte e seguro de mim próprio.
Adulto, realista, racional.
Mas hoje bateu-me.
Caiu sobre mim sem estar à espera.
E derrotou-me.
Estragou o meu dia.
...Mas não estragará a minha vida.
Alguém voltará a gostar de mim.

Sexta-feira, Março 12, 2004

Agora

Quando a minha filha tinha quatro anos, estávamos a brincar no chão do seu quarto quando me perguntou:
- Papá, quando morremos e vamos para o Céu, com que idade ficamos?
- Acho que Deus nos deixa escolher a idade que quisermos, provavelmente aquela em que fomos mais felizes. – respondi, mais para satisfazer a sua curiosidade do que para resolver a sua preocupação.
- Então acho bem que escolhas a tua idade de agora, porque eu vou escolher agora como a idade mais feliz da minha vida. – replicou.

Ainda agora não me consigo zangar a sério com ela (e já tem 13 anos).

Terror

Foi mesmo aqui ao lado.
Foi o maior ataque terrorista de sempre na Europa - e foi mesmo aqui.
Não foi em Israel, no Iraque, Afeganistão ou EUA - foi em Madrid.
Em Madrid onde tenho amigos.
Onde vive a minha irmã caçula, com o marido e o filhote.
Daqui a pouco já vão fazer 24 horas.
E nas TVs só sabem falar se foi a ETA ou a Al-Qaeda, quantas mochilas tinham bombas, que o atraso dos comboios minimizou o resultado final... Estão todos loucos?
Morreram mais de 200 pessoas, e mais de mil estão no hospital. E quantos milhares estarão a chorar por quem perderam, numa manhã normal de trabalho, aqui ao lado?
Terror!

Quinta-feira, Março 11, 2004

Aviso Divinal

Este é o disclaimer que consta no blog http://taitantos.blogspot.com/, um dos meus links aqui ao lado (visitem):


"Este es el blog de una treintañera depresiva que intenta salir a flote en el mar de la vida. Algunos días escribiré muchos, otros nada. Algunos días estaré muy alegre y otros muy triste.Mood swings lo llaman los americanos. Es mi blog, y solamente unos apuntes diarios de mi vida y pensamientos. Si no te gusta, hay un aspa en la parte superior derecha de la ventana de tu navegador: haz clik. Todo el mundo es bienvenido excepto tres clases de personas: racistas, homófobos y pederastas. Si eres uno de ellos, vete por donde has venido. "

Quarta-feira, Março 10, 2004

A quem possa interessar...

Isto não está fácil.

Tenho visitado muitos blogs e a concorrência é feroz.

Há de tudo para todos.

Que mais inventar?

Nada.

Para que é que isto serve?

Para falar de qualquer coisa?
Para passar uma mensagem?
Para defender uma causa?
Para promover uma ideologia?
Para vender um produto?
Para atacar uma minoria?
Para chocar uma maioria?
Para publicar pornografia?
Para exibir vaidades?
Para massajar o ego?

Blog.
WEB Log.
Registo de ocorrências da Teia (traduzido à letra).
Registo de ocorrências da vida.

Uma espécie de diário (todos têm calendário).

Pois é.

Não é preciso inventar nada.
Basta escrever o que vai na alma.

E se alguém ler? Vou sentir a minha intimidade violada?
E se alguém não ler? Vou ficar com a espectativa frustrada?
E se alguém não gostar? Vou ficar com o orgulho ferido?
E se alguém gostar? Vou embevecido?

Azar!

A quem possa interessar...

Terça-feira, Março 09, 2004

Spot Me!

Here I am! My first Post on my first Spot on the Web.

It's official: I'm a blogger :-)

Cá estou eu! O meu primeiro artigo no meu primeiro ponto da Web.

É oficial: sou um bloguista :-)